Israel e o grupo libanês Hezbollah chegaram a um acordo de cessar-fogo que terá início às 16h (horário local) desta sexta-feira, 19, informou uma autoridade dos Estados Unidos à agência Reuters. O entendimento foi intermediado por negociadores americanos e do Catar, com a participação do Irã, segundo a fonte, que falou sob condição de anonimato.

“Entendemos que, após a troca de tiros de hoje, Israel e o Hezbollah estão agora em cessar-fogo”, declarou a autoridade. Um diplomata do Golfo também confirmou a nova trégua à agência AFP.

Cessar-fogo anterior e violações

O anúncio ocorre em meio a uma trégua anterior que, na prática, foi violada repetidamente por ambos os lados. Mais cedo nesta sexta, Israel afirmou ter atacado mais de 80 alvos do Hezbollah no Líbano durante a madrugada, incluindo centros de comando e posições de lançamento, matando dezenas de membros do grupo. O Exército israelense justificou a ação como resposta a “repetidas e flagrantes violações do cessar-fogo”.

Segundo fontes libanesas, os bombardeios deixaram 21 mortos e 33 feridos. Do lado israelense, quatro soldados morreram em combates no sul do Líbano, conforme comunicado oficial.

Declarações e reações

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, afirmou que “todo o Líbano deve queimar”. Em resposta, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou que o governo israelense deseja uma “guerra permanente”. “Isso não é a diatribe de qualquer genocida lunático. É uma declaração pública feita pelo ministro da Segurança Nacional do regime israelense”, escreveu Araghchi na rede social X.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não comentou diretamente o acordo, mas declarou na quinta-feira que “a luta não terminou”. A trégua foi criticada internamente, inclusive dentro do governo de coalizão.

Acordo EUA-Irã e negociações

O novo cessar-fogo ocorre após Estados Unidos e Irã assinarem um acordo na quarta-feira, 17, que exige o fim dos combates em todas as frentes, incluindo no Líbano, e a garantia da integridade territorial e soberania do país. Apesar do pacto, Israel prosseguiu com ataques contra o Hezbollah, elevando o atrito com o presidente americano, Donald Trump.

A Suíça, que sediava as negociações entre Washington e Teerã nesta sexta, anunciou o adiamento do encontro. O Ministério das Relações Exteriores suíço informou que “as conversações previstas entre Estados Unidos, Irã, Catar e Paquistão foram adiadas”, sem definir nova data. As discussões visavam detalhar o fim do conflito iniciado em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. Temas como o programa nuclear iraniano e o alívio de sanções econômicas deverão ser tratados em um prazo de 60 dias, prorrogável por consentimento mútuo.

Contexto do conflito

A guerra entre Israel e Hezbollah teve início em 2 de março, quando o grupo libanês disparou foguetes contra território israelense em retaliação a ataques contra o Irã. Desde então, pelo menos 3.711 libaneses foram mortos e vastas áreas do sul do Líbano foram destruídas. Apesar do novo cessar-fogo, Israel já sinalizou que manterá suas forças “indefinidamente” nas áreas ocupadas, o que pode representar um obstáculo à estabilidade regional. O Irã, por sua vez, afirmou que responderá “de forma dura” a qualquer violação do acordo.