Israel e o Hezbollah concordaram com um cessar-fogo imediato nesta sexta-feira, 19, segundo informou um funcionário americano à AFP. A trégua ocorre após intensos bombardeios israelenses no Líbano, que mataram ao menos 47 pessoas e deixaram 97 feridos, conforme balanço do Ministério da Saúde libanês. O acordo foi negociado por mediadores americanos após conversas com Israel e Irã, e confirmado por um diplomata do Golfo sob condição de anonimato.
O chamado memorando de entendimento prevê o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, condição defendida pelo Irã, aliado do Hezbollah. A guerra teve início em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, resultando em milhares de mortos, principalmente na república islâmica e no Líbano. O conflito também afetou a economia global devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de petróleo.

Cessar-fogo entre Israel e Hezbollah
O anúncio do cessar-fogo ocorreu horas depois de o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, advertir que Israel “fará pagar um preço muito alto” ao Hezbollah pela morte de militares israelenses. Netanyahu também afirmou que as forças israelenses permanecerão “pelo tempo necessário” no sul do Líbano, onde realizaram sua maior incursão terrestre em décadas. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, declarou que “todo o Líbano deve arder”, levando o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, a acusar Israel de buscar “guerra permanente”.
Cenário de destruição no Líbano
Moradores do sul do Líbano fugiram após os ataques, deixando suas casas com pertences amarrados nos carros, conforme relato de um correspondente da AFP em Tiro. Zeinab Naser, de 69 anos, contou em meio a um congestionamento em Sidon: “Estávamos em casa quando, de repente, começaram os bombardeios. Nenhuma cidade, nenhuma casa foi poupada.” Ela acrescentou: “Os aviões militares israelenses nunca deixam o céu. Esperamos que esse veneno [Israel] vá embora do nosso país e possamos viver.”

Negociações EUA-Irã suspensas
O vice-presidente americano, JD Vance, e o negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, deveriam iniciar uma nova fase de negociações na Suíça, mas o encontro foi suspenso devido às hostilidades no Líbano. O governo suíço anunciou o adiamento sem nova data definida. O acordo-quadro, assinado eletronicamente na quarta-feira, 17, pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian e pelo americano Donald Trump, prevê 60 dias de discussões sobre questões como o programa nuclear iraniano e o levantamento de sanções. Uma fonte diplomática dos Emirados Árabes Unidos afirmou que “os próximos 60 dias serão cruciais. Podemos chegar a um acordo global, mas também esperamos um acordo incompleto, com algumas lacunas.” O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, aprovou o acordo com reservas, declarando que haverá “negociações presenciais” com os EUA, mas isso não significa “aceitar o ponto de vista do inimigo”.
Retomada do tráfego no Estreito de Ormuz
O tráfego de navios foi retomado no Estreito de Ormuz, com 25 embarcações comerciais atravessando a passagem na quinta-feira, volume inédito desde meados de abril e cinco vezes a média dos primeiros dez dias de junho, segundo dados da plataforma AXSMarine. A autoridade marítima iraniana informou que embarcações precisam solicitar autorização com 48 horas de antecedência. Segundo o memorando de entendimento, não será cobrada taxa durante 60 dias, conforme comunicado do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano. Os preços do petróleo interromperam a queda, com o barril do Brent negociado em torno de 80 dólares (440 reais).