A Defesa Civil do Líbano informou neste domingo (14) que três pessoas morreram em decorrência de bombardeios israelenses no sul de Beirute. O ataque ocorreu horas após Israel anunciar operações nos subúrbios da capital libanesa, região considerada um reduto do movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã.
Em comunicado, a agência libanesa declarou que “os corpos de três mártires foram retirados dos escombros e seis feridos foram levados ao hospital após o bombardeio”, que atingiu a área de Ghobeiry. A agência oficial NNA também relatou explosões no local, confirmadas por um correspondente da AFP.
Ataques israelenses e contexto imediato
Mais cedo, Israel anunciou ter realizado ataques contra a periferia sul de Beirute pela segunda vez em uma semana, além de operações no sul do Líbano, depois de afirmar que três drones lançados a partir do território libanês atingiram o norte de Israel sem causar vítimas. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, emitiram nota conjunta afirmando que os bombardeios no bairro de Dahiyeh foram “em resposta aos disparos do Hezbollah contra território israelense”. O comunicado acrescentou: “Israel não vai tolerar nenhum ataque contra seu território”.
O Exército israelense classificou as operações como “ataques de precisão” contra uma instalação do Hezbollah no sul de Beirute. Pouco antes, três drones atribuídos ao Hezbollah atingiram o norte de Israel, sem provocar feridos, conforme o Exército israelense.
Impacto sobre negociações de paz
Os ataques podem colocar em risco a assinatura de um acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio, cuja conclusão o presidente americano Donald Trump havia anunciado para este domingo. O Irã já havia advertido Israel que atacar a capital libanesa constituía uma linha vermelha, argumento utilizado para justificar lançamentos de mísseis contra o Estado hebreu na semana anterior.
Contexto do conflito
Israel e Hezbollah estão em guerra desde 2 de março, quando o movimento xiita lançou projéteis contra Israel em solidariedade ao Irã, atacado dois dias antes pelos Estados Unidos e pelo Exército israelense. Uma trégua entre as partes está, em tese, em vigor desde meados de abril, mas as hostilidades prosseguiram. Israel já atacou centenas de alvos do Hezbollah, ocupa parte do sul do Líbano e, segundo depoimentos de moradores e fotografias da AFP, destruiu várias localidades na região. O Irã exige que o acordo em negociação com os Estados Unidos para acabar com a guerra — iniciada em 28 de fevereiro — inclua o Líbano.