As Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram nesta sexta-feira, 19, que realizaram ataques contra mais de 80 alvos da milícia Hezbollah no Líbano, em resposta ao que chamaram de "repetidas e flagrantes violações do cessar-fogo". A ofensiva ocorre dois dias após a assinatura do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, que determina o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo o território libanês.

Em comunicado, os militares israelenses detalharam que "durante a noite, as IDF atacaram mais de 80 centros de comando, terroristas, posições de lançamento e locais adicionais de infraestrutura terrorista" na região de Nabatieh e em outras áreas no sul do Líbano, dentro e além da Zona de Segurança. "Dezenas de terroristas do Hezbollah operando nos centros de comando foram eliminados", acrescentou a nota.

Reações e declarações

Na quinta-feira, Israel já havia informado a morte de quatro soldados em combates no sul do Líbano. O ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, de perfil ultradireitista, declarou: "Todo o Líbano deve queimar". O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou na quinta-feira que "a luta não terminou", sem comentar diretamente o acordo mediado por Estados Unidos e Irã, que tem sido alvo de duras críticas dentro de Israel, inclusive no próprio governo.

Ainda na quinta, um ataque israelense matou ao menos três libaneses. As ações de Netanyahu aumentaram a tensão com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vem elevando o tom das críticas ao aliado, com receio de que o conflito no Líbano comprometa o tratado com o Irã.

Impacto no acordo e nas negociações

O acordo de paz assinado na quarta-feira, 17, exige o fim dos combates em todas as frentes, inclusive no Líbano, e que as partes garantam "a integridade territorial e a soberania" do país. Diante dos bombardeios em andamento, a Suíça confirmou o adiamento das negociações previstas para esta sexta-feira entre Washington e Teerã para consolidar o pacto. "As conversações previstas entre Estados Unidos, Irã, (e os mediadores) Catar e Paquistão foram adiadas", informou o Ministério das Relações Exteriores suíço, sem definir nova data.

O governo iraniano já havia afirmado que responderá militarmente de forma "dura" a qualquer violação do que foi combinado. Após a assinatura do acordo, as discussões desta sexta tinham como objetivo iniciar negociações detalhadas para encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro, com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a república islâmica. Temas como a paralisação do programa nuclear iraniano e o alívio de sanções econômicas por parte dos americanos devem ser abordados ao longo de um período de 60 dias, que pode ser estendido mediante "consentimento mútuo".