Israel e o Hezbollah, grupo armado libanês, aceitaram um novo cessar-fogo no Líbano, que entrou em vigor nesta sexta-feira (19), informou um alto funcionário do governo dos Estados Unidos à agência Reuters. A trégua foi intermediada por EUA e Catar, e ocorre após o cancelamento de negociações iniciais entre Washington e Teerã, que estavam previstas para ocorrer na Suíça.
Negociações e contexto
Os primeiros contatos entre americanos e iranianos foram cancelados por motivos distintos. Os EUA alegaram "problemas logísticos" que impediram o vice-presidente J.D. Vance de viajar ao país europeu na data marcada. Já o Irã desistiu da reunião devido aos combates em curso no Líbano, segundo fontes oficiais.

Posição de Israel
Uma fonte israelense confirmou à imprensa local que o cessar-fogo está em vigor, mas fez ressalvas: as Forças de Defesa de Israel (FDI) permanecerão posicionadas na zona tampão no sul do Líbano para reagir a qualquer eventual avanço de combatentes do Hezbollah. O porta-voz do Exército israelense, brigadeiro-general Effie Defrin, afirmou que as tropas têm "total liberdade de ação" para combater qualquer ameaça na região.
Operações militares continuam
Defrin detalhou que os militares seguem atuando na área do Castelo de Beaufort e na região estratégica de Ali Taher, com o objetivo de demolir os principais sistemas de túneis do Hezbollah. Segundo as FDI, essas estruturas funcionam como "centros de comando" do grupo.
Relação com acordo EUA-Irã
A frágil trégua entre Israel e Hezbollah é considerada um ponto central para a aproximação entre Estados Unidos e Irã. Nos últimos dias, as duas nações assinaram um memorando de entendimento cujo primeiro ponto prevê o fim das hostilidades no Líbano. O Irã vinha advertindo que o front libanês representa uma de suas "linhas vermelhas", capaz de colocar em risco o acordo com os EUA caso não houvesse um cessar-fogo.