Documentos de uma investigação preliminar da Polícia Federal (PF) enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e divulgados nesta terça-feira (16) revelam mensagens trocadas entre Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão (conhecido como 'Sicário'), e pessoas ligadas à família Vorcaro. As conversas, obtidas por meio de interceptação telefônica, indicam cobranças por apoio financeiro, negociações com aliados dos Vorcaro e ameaças de exposição pública feitas por Joana.

Cobranças e reunião no Rio

Em abril, Joana relatou dificuldades financeiras a interlocutores da família. Em mensagens, afirmou que precisaria pagar uma parcela de R$ 40 mil de um financiamento, além da prestação da casa onde mora. Diante da situação, cobrou ajuda de pessoas próximas aos Vorcaro.

No dia 28 de abril, Joana se reuniu no Rio de Janeiro com Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como 'Manolo', braço direito de Henrique Vorcaro (pai de Daniel Vorcaro). Participou também Denise, mãe de Joana. Durante o encontro, Manolo sugeriu a Henrique Vorcaro a transferência de ativos para o nome de Denise como forma de solucionar as cobranças.

Pressão após prisão de primo

Mesmo após a reunião, Joana intensificou a pressão. Ao ver uma publicação sobre a prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, ela ameaçou divulgar informações sobre a família à imprensa. Em conversas interceptadas, a sigla 'HV' – referente a Henrique Vorcaro – foi citada como alvo das ameaças.

'Estou desesperada já', 'HV será o próximo', teria dito Joana, segundo registros da PF.

Contrato milionário sob suspeita

Em 12 de maio, cinco dias após as ameaças, Joana voltou a procurar Manolo para questionar sobre a formalização de um contrato. A mensagem faz referência à participação dela na JM Consultoria e Participações Imobiliária Ltda., empresa na qual aparece como sócia-administradora na Receita Federal, com capital social de R$ 1 milhão.

A PF não confirmou se o contrato foi assinado, mas as movimentações levantam suspeitas de lavagem de dinheiro. Os investigadores acreditam que recursos obtidos por 'Sicário' como contrapartida por crimes praticados a mando de Daniel Vorcaro estariam sendo repassados à mãe e à irmã dele.

Contexto da investigação

Luiz Phillipi Mourão, o 'Sicário', é apontado pela polícia como braço direito do ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro, que está preso em Brasília. 'Sicário' foi morto após ser preso em março. A PF investiga a atuação do grupo em fraudes financeiras e possíveis crimes violentos.