A seleção do Irã terá que entrar e sair dos Estados Unidos no mesmo dia de seus jogos na Copa do Mundo, conforme informou o embaixador do Irã no México, Abolfazl Pasandideh. A equipe ficará hospedada em Tijuana, no México, e será obrigada a fazer as viagens de ida e volta no dia das partidas.

A medida está relacionada ao conflito entre Irã e Estados Unidos. Desde a escalada das tensões no Oriente Médio, a participação iraniana no torneio ficou incerta, e o processo de obtenção de vistos para a delegação foi atrasado, levando a equipe a transferir sua base de treinamento de Tucson (Arizona) para Tijuana, cidade mexicana próxima à fronteira.

Grupo e jogos

O Irã integra o Grupo G da Copa do Mundo, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Na primeira fase, os três jogos da equipe serão nos Estados Unidos: dois em Los Angeles e um em Seattle.

Na delegação iraniana, 15 membros ainda não têm vistos americanos — a maioria composta por dirigentes e parte da comissão técnica. Segundo o diplomata iraniano, isso representa um desafio para a equipe.

Acusações de discriminação

A embaixada iraniana na Turquia já havia alertado sobre a situação, questionando nas redes sociais: "Por que não mencionam que os vistos foram negados a grande parte dos dirigentes, executivos, auxiliares técnicos e outras pessoas que integram qualquer seleção nacional de futebol?"

A declaração foi uma resposta ao comunicado do embaixador dos EUA na Turquia, Tom Barrack, que anunciou que os jogadores e a "comissão técnica necessária" haviam recebido os vistos. A Casa Branca confirmou na sexta-feira que os vistos dos atletas foram concedidos. No entanto, a embaixada iraniana classificou a recusa de vistos para o restante da delegação como "o mais alto nível de discriminação intencional" contra o país.

Segundo a agência de notícias Fars, mais de uma dúzia de integrantes das equipes de apoio médico e esportivo tiveram seus pedidos rejeitados, assim como o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj.

Restrições e conexões com a Guarda Revolucionária

A restrição americana deve-se, em parte, a conexões com a Guarda Revolucionária Islâmica. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou anteriormente que os EUA não permitiriam a entrada de indivíduos ligados a esse ramo das forças armadas iranianas. Mehdi Taj, ex-comandante da Guarda, já havia sido impedido de entrar nos EUA para o sorteio do torneio em dezembro.

Devido à incerteza sobre os vistos, a seleção do Irã transferiu sua base de treinamento de Tucson para Tijuana. A delegação deve chegar ao México no domingo, após passar pela Espanha.

Contexto de guerra

Para o embaixador do Irã no México, a decisão de competir "mesmo em território considerado inimigo" é um gesto que demonstra a busca do país pela paz. Esta é a primeira vez, desde a criação da Copa do Mundo em 1930, que um país anfitrião recebe uma nação com a qual está em guerra.

O conflito militar entre as duas nações continua ativo. Poucas horas após confirmar a recepção dos jogadores, os Estados Unidos anunciaram novos ataques aéreos contra instalações iranianas, alegando ameaças ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Enquanto isso, as negociações de paz avançam lentamente em direção a um acordo provisório.

Com informações de ge — Globo Esporte.