O comando das Forças Armadas do Irã anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão dos ataques retaliatórios contra Israel, após ambos os países terem retomado as hostilidades pela primeira vez desde o cessar-fogo de 8 de abril. Em comunicado, a instituição afirmou que o Irã “respondeu com veemência” aos bombardeios israelenses nos subúrbios do sul de Beirute, no Líbano, e que, “consequentemente, a operação está interrompida”.
O comando advertiu que retaliará em caso de novos ataques israelenses no Líbano. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que o país continua negociando o fim da guerra iniciada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro e que a prioridade de Teerã é “a segurança nacional e a paz do nosso povo”. Em publicação no X, ele afirmou: “Defenderemos os direitos da nação com autoridade e não recuaremos diante de nenhuma ameaça. Diplomacia e defesa são os dois pilares do poder nacional; não abandonamos o campo de batalha nem a mesa de negociações”.

As Forças Armadas iranianas disseram que seus ataques contra Israel são uma resposta da qual o “regime sionista e seus apoiadores devem aprender uma lição”. O comunicado, divulgado pela mídia estatal, declara a suspensão das operações, mas ressalta que, se as agressões continuarem — inclusive no sul do Líbano —, “medidas muito mais severas e repressivas do que as anteriores serão tomadas”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que Israel e Irã interrompam “imediatamente” os ataques. Após semanas de negociações para encerrar o conflito, a tensão aumentou depois de um bombardeio israelense contra os subúrbios de Beirute no domingo, ao qual o Irã respondeu com mísseis. Ignorando um primeiro pedido de Trump para conter a escalada, o Exército israelense atacou várias cidades iranianas, incluindo Teerã, alvejando sistemas de defesa e um complexo petroquímico.

Trump escreveu em sua rede Truth Social: “Israel e Irã devem parar de atirar imediatamente”. Depois, afirmou que as partes querem um “CESSAR-FOGO imediato” e que as negociações “estão avançando, sujeitas à ignorância ou estupidez que atrapalham o caminho”.
Em Teerã, uma forte explosão fez tremer a sede do Ministério das Relações Exteriores. Em Jerusalém, a população acordou com explosões e alertas de ataques aéreos. As autoridades israelenses decretaram o fechamento das escolas em todo o território, e o Exército afirmou que seguia “em estado de alerta elevado”.

A Guarda Revolucionária iraniana anunciou que atacou duas importantes bases aéreas de Israel e um complexo petroquímico em Haifa. Desde domingo, o Irã lançou quase 30 mísseis, segundo um militar israelense, que também mencionou dois disparos procedentes do Iêmen.
Nas negociações indiretas, Teerã insistiu que qualquer acordo deve incluir o fim do conflito paralelo no Líbano entre Israel e o Hezbollah, movimento pró-iraniano. Dois acordos de trégua mediados pelos EUA não conseguiram encerrar os combates, especialmente intensos no sul do Líbano, onde Israel prossegue atacando.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou que Israel realizou 3.491 ataques aéreos, 407 demolições e seis operações de “arrasamento” contra o Líbano entre 17 de abril e 7 de junho, devastando aldeias inteiras. Salam disse que o Líbano está se esforçando para manter o cessar-fogo, mas a escalada entre Irã e Israel causou novas ondas de deslocamento, dificultando a capacidade de acolher famílias. Mais de um milhão de pessoas — um quinto da população libanesa — foram deslocadas desde o início da guerra, em 2 de março.
A crise afetou os mercados: o preço do barril de petróleo Brent disparou quase 5%, aproximando-se de 100 dólares, enquanto as Bolsas operavam em baixa. Os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, decretaram a proibição da navegação de navios israelenses pelo Mar Vermelho, outra rota estratégica para o comércio mundial.
Trump disse no domingo que ligaria para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para pedir que não respondesse aos mísseis iranianos. “Israel lançou seu ataque e o Irã lançou seu ataque. Não precisamos de outro”, afirmou ao jornalista Barak Ravid, do portal Axios. Os apelos por moderação, repetidos por China, União Europeia e Reino Unido, tiveram pouco efeito.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, declarou que as ações israelenses não podem ser dissociadas dos Estados Unidos e advertiu que o processo diplomático será afetado. Ele acrescentou que as consultas diplomáticas com mediação do Paquistão “continuam naturalmente em todas as circunstâncias”.
Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.