O Irã retaliou, nesta segunda-feira (8), ataques israelenses contra seu território com o lançamento de mísseis contra instalações petroquímicas em Haifa, no norte de Israel. A ação foi anunciada pela Guarda Revolucionária Islâmica, que afirmou ter atingido centros ligados ao setor de energia israelense como resposta direta aos bombardeios que danificaram a infraestrutura energética iraniana.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, responsabilizou os Estados Unidos pela escalada militar na região. Segundo ele, Israel não age sem coordenação prévia com Washington. “Ninguém na região acredita que o regime sionista possa realizar tais ações sem cooperação, coordenação ou ao menos aprovação dos Estados Unidos”, afirmou.

Os ataques israelenses atingiram alvos militares e instalações de energia no Irã, incluindo a Companhia Petroquímica Karoun, em Mahshahr, um dos principais polos industriais do país. Autoridades iranianas informaram que os bombardeios causaram danos à infraestrutura energética e elevaram o risco para a produção e exportação de derivados de petróleo.

A Guarda Revolucionária advertiu que o inimigo iniciou um “jogo perigoso” ao atacar alvos civis e a indústria petrolífera. “O alcance dessa ação incluirá todos os alvos energéticos da região, e as consequências para a economia global serão responsabilidade do principal instigador desse cenário, os Estados Unidos”, declarou em comunicado.

Baghaei afirmou que Washington participou dos entendimentos que resultaram no cessar-fogo firmado em abril e, por isso, deve responder pelas consequências da retomada das hostilidades. Ele acusou o governo estadunidense de não cumprir os compromissos assumidos durante as negociações. “Qualquer ação na região, seja diretamente pelos Estados Unidos ou por meio do regime israelense no Líbano, torna Washington plenamente responsável, e as consequências da escalada recairão sobre ele”, disse.

O cessar-fogo de abril havia interrompido semanas de confrontos diretos entre Israel e Irã, além de ações de grupos aliados de Teerã em diferentes países da região. A troca de ataques dos últimos dias representa a primeira ruptura significativa do acordo.

Além dos confrontos entre os dois países, a crise provocou reações de aliados iranianos. Os houthis do Iêmen anunciaram novas medidas contra os interesses israelenses no Mar Vermelho e afirmaram que pretendem impedir a passagem de embarcações ligadas a Israel pela região. O grupo declarou que as ações continuarão enquanto os ataques israelenses forem mantidos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta segunda-feira (8) que Israel e Irã interrompam os ataques. “Israel e Irã devem parar de ‘atirar’ imediatamente”, escreveu Trump na rede Truth Social. Dois dias antes, ele afirmou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, teria de aceitar um acordo com o Irã. “Quem dá as cartas sou eu. Eu dou todas as cartas. Ele (Netanyahu) não dá as cartas”, disse Trump ao Financial Times. “Ele não terá escolha”, declarou.

Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.