O Irã voltou a fechar o estreito de Ormuz para a navegação neste sábado (20.jun.2026), segundo anúncio oficial. A medida suspende na prática os efeitos de um acordo provisório firmado com os Estados Unidos no início da semana e reativa restrições ao fornecimento global de petróleo e gás natural.

O comando militar conjunto iraniano justificou o bloqueio pela “má-fé” dos Estados Unidos e uma “clara violação de compromissos” pela falta de ações para frear a guerra no Oriente Médio. O governo iraniano afirmou, em comunicado na TV estatal, que o fechamento é uma resposta à continuidade dos ataques de Israel no Líbano e alertou que novas medidas já estão planejadas caso as agressões continuem.

Negociações na Suíça

Apesar da retaliação, a emissora estatal do Irã confirmou que uma equipe de negociadores embarcou para a Suíça neste sábado (20.jun.2026). A viagem diplomática estava originalmente marcada para 6ª feira (19.jun.2026).

A expectativa iraniana sobre o encontro, no entanto, é baixa. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Bagahei, declarou que o objetivo da viagem é exigir que os EUA cumpram suas obrigações. De acordo com o diplomata, as conversas para um acordo definitivo e a retomada das negociações sobre o programa nuclear do Irã só avançarão se os compromissos do pacto provisório forem respeitados. Bagahei afirmou que, do contrário, “todo o memorando de entendimento estará em risco”.

O acordo em questão exige a suspensão das operações militares no Líbano e o respeito à soberania do país. Nem Israel nem o grupo militante Hezbollah, no entanto, são signatários do documento.

Escalada no Líbano

O impasse diplomático reflete a intensificação dos conflitos na região. Na manhã deste sábado (20.jun.2026), bombardeios israelenses no sul do Líbano mataram ao menos 16 pessoas, o que inclui duas crianças. A Agência Nacional de Notícias libanesa relatou que 7 pessoas ficaram presas sob escombros em Nabatiyeh e em vilarejos próximos.

As mortes ocorreram horas depois do surgimento de rumores sobre um possível cessar-fogo. Apenas na 6ª feira (19.jun.2026), confrontos diretos deixaram 47 mortos no Líbano e 4 soldados israelenses mortos. De acordo com o Ministério da Saúde libanês, o número total de vítimas fatais na guerra recente entre Israel e o Hezbollah já ultrapassou 4.000.

Ataques no sul libanês atingiram diversas localidades neste sábado. Em Barish, 4 membros da mesma família morreram, enquanto 1 corpo foi resgatado de uma casa destruída em Arab Salim. Em Doueir e Kfar Rumman, drones mataram um motociclista e um soldado libanês, enquanto outras 9 pessoas morreram em ofensivas contra Qannarit, Sohmor e Shehour.

Impasse sobre cessar-fogo

Esforços de mediação tentam interromper as hostilidades. Na 6ª feira (19.jun), o embaixador israelense em Washington, Yechiel Leiter, afirmou que Israel está comprometido com um cessar-fogo imediato se o Hezbollah cessar seus ataques.

Porém, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que o exército atingiu 150 alvos do grupo militante na 6ª feira e prometeu manter as forças israelenses no sul do Líbano até que qualquer ameaça a Israel seja eliminada. A porta-voz militar israelense, brigadeiro-general Effie Defrin, confirmou que as tropas continuam operando em uma “zona de defesa avançada”.

Em resposta, o Hezbollah declarou aceitar um cessar-fogo, mas culpou Israel por sucessivas violações. Durante a madrugada de sábado (20.jun.2026), o grupo disparou mais de 50 projéteis contra forças israelenses, segundo um oficial militar de Israel. O Hezbollah condiciona o fim de seus ataques à retirada total das tropas de Israel do Líbano, uma exigência apoiada pelo Irã.

Uma nova rodada de negociações entre o governo libanês e Israel, com apoio norte-americano, está prevista para ocorrer em Washington na próxima semana.