O principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, questionou neste domingo o compromisso dos Estados Unidos com as iniciativas de paz, após Israel realizar novos ataques ao Líbano. A ação militar israelense reduziu as perspectivas de que Teerã e Washington assinem um acordo preliminar ainda neste domingo para encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro.
Ofensiva israelense e reação iraniana
O Exército israelense afirmou que o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, lançou três projéteis contra comunidades no norte de Israel, violando o cessar-fogo no Líbano. Em resposta, Israel realizou disparos contra o que chamou de alvos do Hezbollah no bairro de Dahiyeh, em Beirute. A defesa civil libanesa informou que três pessoas morreram no ataque.

Qalibaf escreveu no X, em referência às iniciativas de paz: “Se você não tem a vontade e a capacidade de cumprir seus compromissos, falar em continuar o caminho não é possível”. O vice-comandante do principal comando militar conjunto do Irã, Mohammad Jafar Assadi, foi citado pela mídia estatal dizendo que os “crimes” israelenses em Beirute não ficariam impunes.
Acordo EUA-Irã sob ameaça
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o Paquistão, mediador do acordo, haviam declarado no sábado que esperavam a assinatura do acordo neste domingo. No entanto, Teerã levantou dúvidas sobre o cronograma. Manifestantes linha-dura no Irã também manifestaram oposição ao acordo. Negociadores do Catar viajaram a Teerã na manhã deste domingo para tentar finalizar o pacto, segundo uma fonte com conhecimento do assunto ouvida pela Reuters.

Uma fonte da agência de notícias iraniana Fars afirmou que Teerã ainda não tomou uma decisão final sobre o acordo preliminar e analisa seus aspectos políticos, jurídicos e técnicos nos níveis de especialistas e de tomada de decisão. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, dissera anteriormente que a assinatura “não aconteceria” neste domingo, embora pudesse ocorrer “nos próximos dias”.
Uma autoridade iraniana disse à Reuters que, nos termos do rascunho do acordo, os EUA concordariam em liberar US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados, enquanto o Irã se comprometeria a não produzir ou adquirir armas nucleares. Israel, por sua vez, afirmou que não faz parte do acordo e que manterá liberdade de operações no Líbano. O governo israelense incluiu um cessar-fogo total como exigência importante, enquanto Trump pressiona Israel a limitar a ação militar no Líbano para viabilizar o pacto.
Contexto do conflito
A guerra entre EUA e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, intensificou o conflito entre Israel e o Hezbollah. Milhares de pessoas morreram, principalmente no Irã e no Líbano. O Irã atacou Israel e países do Golfo com bases norte-americanas e bloqueou o Estreito de Ormuz, via crucial para o abastecimento global de petróleo, elevando os preços da energia. Em resposta, a Marinha dos EUA bloqueou portos iranianos.
A Fox News citou um diplomata não identificado envolvido nas negociações, que afirmou que os ataques israelenses estavam complicando os esforços para finalizar o acordo e descreveu as ações como uma tentativa de sabotagem. Israel não respondeu imediatamente a essa afirmação.