O governo do Irã anunciou, neste sábado (20), o fechamento do Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo, em resposta aos ataques israelenses no sul do Líbano. A decisão, divulgada pela agência estatal Irna, é apresentada como reação ao que Teerã considera descumprimento do acordo firmado recentemente com os Estados Unidos, que previa o fim da guerra.
Em comunicado, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, principal comando militar iraniano, afirmou que a medida decorre da “violação clara” por Washington da primeira cláusula do acordo. O texto classifica o bloqueio do estreito como a primeira etapa de resposta ao não cumprimento de compromissos pelo “inimigo”.

“Caso a agressão continue, foram planejadas e serão executadas novas medidas para obrigar o inimigo a cumprir suas obrigações”, advertiu o comando. O documento também condena o que descreve como “matança impiedosa” e o deslocamento em massa de civis no Líbano, além de criticar a permanência de forças israelenses no sul do país.
Memorando de Islamabad
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na quarta-feira (17) o Memorando de Islamabad no Palácio de Versalhes, na França. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, também firmou o documento em Teerã. O texto traz diretrizes para encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro, prevendo a negociação de pontos cuja resolução é buscada sem sucesso há décadas. O memorando inclui o fim dos combates em todas as frentes, incluindo no Líbano.
Intensificação dos combates no Líbano
Apesar do acordo, os confrontos se intensificaram na sexta-feira (19). Segundo a agência EFE, as Forças de Defesa de Israel (FDI) relataram a morte de quatro soldados israelenses em um ataque com drone realizado pelo Hezbollah no sul libanês. O governo do Líbano, por sua vez, informou que pelo menos 18 pessoas morreram e 33 ficaram feridas em ataques israelenses.
Negociações canceladas
As primeiras reuniões de negociações entre os dois países, previstas para ocorrer na Suíça, foram canceladas. Um funcionário de um governo do Oriente Médio disse à agência americana que o Irã desistiu da reunião especificamente por causa dos combates no Líbano e das declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que afirmou que as tropas israelenses não se retirarão do sul libanês, onde enfrentam o Hezbollah, aliado do Irã.