O Irã informou na 3ª feira (23.jun.2026) que concluiu as negociações técnicas com os Estados Unidos em Bürgenstock, na Suíça. Segundo a agência estatal Irna, os 2 países acertaram a criação de grupos de trabalho sobre sanções, programa nuclear, reconstrução econômica e monitoramento do acordo.

As conversas foram realizadas com base no memorando de entendimento de Islamabad, assinado eletronicamente na 5ª feira (18.jun.2026) pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). O documento teve mediação do Paquistão e do Qatar e estabelece um roteiro de 60 dias para a negociação de um acordo final.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi, chefiou a equipe técnica iraniana. Segundo ele, as negociações definiram os mecanismos para implementar o memorando e a declaração conjunta divulgada depois da reunião de alto nível realizada no domingo (21.jun.2026).

Gharibabadi afirmou que os grupos de trabalho serão divididos em 4 eixos:

  • encerramento de sanções — discussão sobre a retirada de restrições impostas ao Irã;
  • assuntos nucleares — negociação sobre o programa nuclear iraniano;
  • reconstrução e desenvolvimento econômico — medidas voltadas à retomada da atividade econômica;
  • monitoramento e implementação — acompanhamento do cumprimento do memorando.

O representante iraniano também afirmou que os Estados Unidos emitiram uma licença geral para autorizar a venda de petróleo bruto, produtos petroquímicos, derivados de petróleo e serviços relacionados. Segundo ele, também entrará em vigor imediatamente o acordo para liberar US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados, divididos em 2 parcelas de US$ 6 bilhões.

Pezeshkian afirmou nesta 3ª feira (23.jun.2026) que o resultado das negociações dependerá do cumprimento integral das obrigações acertadas. Em publicação no X, o presidente iraniano disse que “a efetividade das conversas depende do compromisso total com as obrigações acordadas e de sua implementação precisa”.

“O progresso nesse caminho será medido pela adesão prática às responsabilidades aceitas”, declarou. “Declarações fora do texto acordado não ajudam a avançar nas negociações”, completou.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Ghalibaf, também defendeu a viagem da delegação à Suíça. Ele disse que a ida dos negociadores ajudou a evitar mais derramamento de sangue no Líbano.

Segundo Ghalibaf, a delegação iraniana fez consultas com as partes envolvidas e com os mediadores do Paquistão e do Qatar durante as conversas na Suíça. Ele afirmou que, sem a viagem, “a cada momento mais sangue dos muçulmanos e xiitas do Líbano teria sido derramado”.

As futuras negociações ficarão sob supervisão de um comitê de alto nível. Pelo desenho anunciado por Teerã, participarão o presidente do Parlamento e o ministro das Relações Exteriores do Irã, o vice-presidente dos Estados Unidos e os primeiros-ministros do Paquistão e do Qatar.


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