O Irã e os Estados Unidos confirmaram nesta segunda-feira (15) um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio que teve início em fevereiro com ações militares dos EUA e de Israel. O memorando de entendimento estabelece o cessar-fogo imediato, a reabertura do Estreito de Ormuz, o fim do bloqueio naval americano contra o Irã e a interrupção dos ataques no Líbano. A assinatura formal do documento ocorrerá na Suíça na próxima sexta-feira (19).
Detalhes do acordo
De acordo com o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, que divulgou comunicado sobre o entendimento, o texto das negociações foi concluído após meses de conversas e aprovado pelas autoridades iranianas. “Com base nos acordos alcançados, a guerra e as operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, terminam de forma imediata e permanente. Além disso, o bloqueio naval contra o Irã é encerrado de forma imediata e completa”, informou o conselho.

O órgão acrescentou que futuras negociações para um acordo definitivo só ocorrerão depois que os Estados Unidos cumprirem os compromissos assumidos no memorando.
O presidente dos EUA, Donald Trump, também confirmou o entendimento. Segundo ele, o acordo está concluído e permitirá a retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz, vital para o comércio global de petróleo. Trump autorizou ainda o fim do bloqueio naval imposto ao Irã.

Mediação e reações
As negociações contaram com mediação do Paquistão e do Catar, cujas autoridades já haviam indicado nos últimos dias que o acordo estava próximo. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o governo americano será responsável por implementar os termos acertados. Em contatos com outros diplomatas, Araghchi destacou a necessidade de interromper completamente as ações militares e os ataques israelenses contra o Líbano.
Segundo Araghchi, o memorando foi negociado com foco nos interesses iranianos e representa apenas uma primeira etapa. Questões como o programa nuclear do Irã e eventuais alterações no regime de sanções serão discutidas em negociações posteriores.
Impacto nos mercados e divergências
O anúncio foi recebido como um marco diplomático após mais de três meses de conflito. Nos mercados internacionais, os preços do petróleo caíram com a perspectiva de retomada do fluxo comercial pelo Estreito de Ormuz.
Apesar da previsão de encerramento das operações militares no Líbano prevista no memorando, Israel sinalizou posição divergente. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que as forças do país continuarão em áreas ocupadas do sul do Líbano, da Síria e da Faixa de Gaza. “O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e eu estamos a seguir uma política clara segundo a qual as forças armadas permanecerão nas zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza por um período de tempo indeterminado, a fim de proteger a fronteira e as comunidades israelitas contra elementos jihadistas”, afirmou Katz.
Segundo o governo libanês, os bombardeios israelenses provocaram mais de 3,7 mil mortes desde março.