O Irã negou neste sábado (13.jun.2026) a possibilidade de assinar um acordo preliminar de paz com os Estados Unidos nas próximas 24 horas, conforme havia sugerido o governo do Paquistão, mediador das negociações. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou que não há data definida para a formalização do memorando de entendimento, descartando a assinatura no domingo (14.jun).

“Teremos que esperar para ver a data exata da assinatura do memorando, embora não seja amanhã”, declarou Baghaei à mídia estatal iraniana.

Na sexta-feira (12.jun), autoridades de Washington e Teerã indicaram que um entendimento estava próximo. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que as partes chegaram a uma estrutura para o acordo e que Islamabad se preparava para uma assinatura eletrônica, seguida por reuniões técnicas. Sharif chegou a dizer que o documento poderia ser formalizado já no domingo. Baghaei, no entanto, minimizou essa avaliação e pediu cautela diante da “hesitação da outra parte”.

Detalhes do acordo preliminar

Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o memorando em discussão prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos. Em contrapartida, os Estados Unidos começariam a liberar bilhões de dólares em ativos iranianos congelados e suspenderiam sanções que restringem as exportações de petróleo do país.

A questão nuclear, principal justificativa apresentada pelo presidente Donald Trump para iniciar a guerra, seria discutida em uma etapa posterior. O plano estabelece um período de 60 dias de negociações para definir o futuro do programa nuclear iraniano. Um integrante do governo norte-americano afirmou que o acordo atende aos principais objetivos da Casa Branca e, em última instância, levaria ao desmantelamento do programa nuclear iraniano e à eliminação de seus estoques de urânio altamente enriquecido.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, indicou, porém, que Teerã não aceita abrir mão integralmente de seu programa nuclear. Segundo ele, o país defende a manutenção do urânio em forma diluída e considera que saiu fortalecido do conflito.

Resistência de Israel

Israel não participa das negociações e já sinalizou oposição a alguns termos. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o país não fará parte do memorando, expondo divergências com a Casa Branca, especialmente em relação às exigências dos EUA para reduzir operações militares no Líbano.

Araqchi sugeriu que o acordo poderia encerrar os confrontos no território libanês, com uma retirada israelense das áreas ocupadas. A declaração foi rejeitada pelo ministro da Defesa de Israel, que afirmou que o país manterá suas posições de segurança. Um alto funcionário israelense acrescentou que o governo pretende preservar sua liberdade de ação contra eventuais ameaças na região.

A guerra teve início em 28 de fevereiro, após ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O conflito deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e provocou impactos no mercado global de energia, com o bloqueio do Estreito de Ormuz e o bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos.