O vice-comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, Mohammad Jafar Assadi, afirmou neste domingo (14) que os ataques israelenses nos subúrbios ao sul de Beirute não ficarão sem resposta, conforme noticiou a mídia estatal iraniana. As declarações ocorrem após operações de Israel contra alvos do Hezbollah, grupo aliado do Irã no Líbano.

Os bombardeios israelenses atingiram os subúrbios ao sul da capital libanesa, onde, segundo Tel Aviv, haveria infraestrutura do Hezbollah. Assadi classificou as ações como 'crimes' e prometeu retaliação, sem detalhar prazo ou forma.

Acordo EUA-Irã gera controvérsia

Paralelamente, o presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que um memorando de paz com o Irã poderia ser assinado em seu 80º aniversário, neste domingo. No entanto, não houve confirmação de Teerã sobre um texto final acordado. O conteúdo do acordo não foi divulgado oficialmente.

Setores conservadores iranianos reagem contra os termos relatados. Mahmoud Nabavian, figura de linha-dura, afirmou que assinar o tratado tornaria o Irã 'efetivamente uma colônia dos Estados Unidos'. Segundo ele, o acordo abriria o estratégico Estreito de Ormuz 'até mesmo para Israel'. 'Se quisermos realizar até mesmo a menor quantidade de enriquecimento de urânio, primeiro teríamos de obter autorização dos Estados Unidos — inclusive para fins como produzir medicamentos ou eletricidade', acrescentou. Nabavian também questionou quando o Irã se beneficiaria da liberação de ativos congelados ou do alívio de sanções: 'Quanto mais sinais de fraqueza enviarmos, mais a guerra se aproximará de nós'.

Divisões internas no Irã

Diversos veículos iranianos alertaram contra divisões internas. O jornal Javan, próximo à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), afirmou que oradores em manifestações ignoram orientações do líder supremo, Mojtaba Khamenei, e 'agem para semear cisma e divisão entre a população'. Em Teerã, no sábado, participantes de um ato público pediram a renúncia do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e do principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf. Vídeos mostram manifestantes entoando: 'Ghalibaf, Araghchi — e o sangue do meu líder?', em referência ao assassinato do pai de Khamenei no início do conflito, em fevereiro.

Em contrapartida, Ali Rabiei, aliado do presidente Masoud Pezeshkian, rebateu as críticas e alertou contra a criação de 'narrativas artificiais'.