Elon Musk tornou-se o primeiro trilionário da história na última sexta-feira (12), após o IPO da SpaceX na Nasdaq. De acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg, sua fortuna atingiu US$ 1,1 trilhão, o triplo do patrimônio do segundo homem mais rico do mundo, Larry Page, do Google. O valor equivale ao Produto Interno Bruto da Suíça.
Detalhes do IPO
Na quinta-feira (11), a SpaceX precificou suas ações a US$ 135 cada, conforme documento enviado ao regulador do mercado americano. No primeiro pregão, os papéis abriram a US$ 150, atingiram máxima de US$ 176,52 — alta de 31% sobre o preço de oferta — e fecharam a US$ 160,95, valorização de 19,22%. Com isso, o valor de mercado da companhia chegou a US$ 2,2 trilhões, tornando-a a sétima empresa mais valiosa do mundo e a sexta nos Estados Unidos, à frente de Tesla, Meta e Walmart.

A demanda de investidores foi histórica. A plataforma Fidelity recebeu mais de 500 mil pedidos de compra em menos de uma hora, e a Charles Schwab registrou mais de um milhão de ordens nas primeiras horas de negociação. A Citadel Securities, maior formadora de mercado de varejo dos EUA, informou ter intermediado a maioria dos pedidos, classificando o volume como o maior já registrado em um leilão de IPO.
Reações e contexto
Musk não compareceu à cerimônia de abertura do pregão. Participou por vídeo da sede da SpaceX em Starbase, no Texas, onde a empresa lançou 29 satélites Starlink no mesmo dia. “É realmente difícil acreditar que aquela pequena empresa que começou em um galpão em El Segundo agora está abrindo capital no maior IPO da História”, declarou. A operação superou em quase três vezes o maior IPO anterior nas bolsas americanas, estabelecendo novo patamar e abrindo caminho para as esperadas aberturas de capital da OpenAI e da Anthropic em 2026.
Segundo a Reuters, operadores, corretoras e bolsas de Wall Street realizaram testes de estresse em seus sistemas de negociação por várias semanas antes da estreia.
Estrutura e alcance da SpaceX
Fundada por Musk em 2002, a SpaceX deixou de ser apenas uma empresa de foguetes. Hoje opera como um conglomerado que integra a rede de internet via satélite Starlink, a startup de inteligência artificial xAI e a rede social X (antigo Twitter). Negociada sob o código “SPCX”, a empresa concentra infraestruturas de comunicação, transporte espacial e processamento de dados com alcance global. Durante o evento em Starbase, Musk reafirmou o objetivo público da empresa: “A SpaceX quer poder levá-los à Lua, levá-los a Marte e, em última instância, além.”
O IPO gerou efeitos diretos para os cerca de 22 mil funcionários: estima-se que aproximadamente 4.400 deles se tornaram milionários após a valorização das ações.
Desigualdade e poder
A fortuna de Musk representa mais de 3% do PIB americano, proporção superior à de John Rockefeller em seu auge, segundo dados citados pela Oxfam. “O fato é que a riqueza para alguns e a desigualdade patrimonial estão crescendo em dimensões que nunca vimos antes”, afirmou ao The New York Times Steven Durlauf, diretor do Stone Center de pesquisas em desigualdade da Universidade de Chicago.
O crescimento acelerado da fortuna de Musk desde 2021 coincide com intensa atividade política. Ele gastou mais de US$ 250 milhões para ajudar a eleger Donald Trump e atuou como conselheiro do governo americano. Adeo Ressi, colega de Musk na Universidade da Pensilvânia, disse ao The New York Times que o empresário não busca ganhos financeiros em si, mas recursos para viabilizar seus objetivos, e que não exibe símbolos típicos de riqueza. A observação não elimina a questão central: independentemente das motivações pessoais de Musk, a concentração de patrimônio em um indivíduo que controla infraestruturas globais de comunicação, influencia eleições e ocupa posição de conselheiro governamental representa uma forma de poder sem mecanismos claros de controle democrático.