A investigação sobre a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte coletivo da capital paulista chegou à sua 3ª empresa de ônibus, informaram o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e a Polícia Civil nesta 5ª feira (25.jun.2026). A operação Última Parada tem como alvo a Transunião, concessionária que atua na zona leste da cidade.
Em entrevista a jornalistas, os investigadores informaram que a empresa teria sido utilizada para lavar dinheiro do crime organizado por meio da mistura de recursos ilícitos com receitas obtidas na operação do transporte público. A ação cumpriu 103 mandados de busca e apreensão, 5 mandados de prisão e determinou o bloqueio de R$ 197 milhões em bens e ativos.
A operação é tratada pelas autoridades como um desdobramento da Operação Fim da Linha, realizada em 2024, que atingiu as empresas UpBus e Transwolff. Na avaliação do Ministério Público, a Transunião reproduzia o mesmo modelo já identificado nas outras companhias.
COMO A INVESTIGAÇÃO COMEÇOU
O ponto de partida do caso foi o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, morto a tiros em 2020 na zona leste de São Paulo.
Segundo os promotores, a análise de celulares, pendrives, documentos e quebras de sigilo realizadas após o crime permitiu identificar movimentações financeiras suspeitas e a participação de integrantes do PCC na estrutura da empresa.
De acordo com o Ministério Público, a investigação revelou que pessoas ligadas à facção teriam participado da capitalização da companhia e mantido influência sobre suas decisões administrativas e financeiras.
MODELO JÁ VISTO EM OUTRAS EMPRESAS
Os investigadores afirmaram que a Transunião seguiu a mesma metodologia identificada anteriormente em outras empresas do setor.
Segundo o promotor Danilo Pugliese, o esquema envolvia aportes financeiros sem origem econômica compatível durante o processo de transformação de cooperativas em sociedades empresariais. A suspeita é que recursos do PCC tenham sido utilizados para ampliar o capital das companhias e garantir participação oculta de integrantes da facção.
Os investigadores afirmam que a estratégia permitia utilizar um negócio formal e de grande faturamento para misturar dinheiro do crime organizado com receitas legítimas provenientes da venda de passagens e de repasses públicos.
RECURSOS PÚBLICOS SOB INVESTIGAÇÃO
O promotor Lincoln Gakiya afirmou que a Transunião recebeu mais de R$ 180 milhões em subvenções da Prefeitura de São Paulo somente nos primeiros meses de 2026.
Segundo ele, a direção da empresa teria sido “capturada pelo PCC”, o que reforça a preocupação das autoridades com a infiltração do crime organizado em contratos públicos.
Por determinação judicial, os diretores investigados foram afastados e a Prefeitura foi comunicada para garantir a continuidade da operação do transporte sem prejuízo aos passageiros.
LIGAÇÕES COM OUTRAS OPERAÇÕES
As apurações também identificaram conexões entre a Transunião e outras investigações sobre lavagem de dinheiro atribuída ao PCC.
Segundo os promotores, provas compartilhadas pela Operação Mafiusi, conduzida na Justiça Federal e relacionada ao tráfico internacional de cocaína, ajudaram a fortalecer as suspeitas envolvendo a empresa.
A investigação também encontrou movimentações financeiras entre pessoas ligadas à Transunião e investigados em outras operações contra integrantes da facção.
VEREADOR PRESO
Entre os presos na operação está o vereador Senival Moura (PT), apontado pelos investigadores como integrante da estrutura que controlava a empresa.
Segundo o Ministério Público, mensagens e documentos analisados indicam que o parlamentar mantinha influência sobre decisões da Transunião, mesmo sem ocupar formalmente cargos de direção.
Os promotores afirmaram que, até o momento, não há indícios de participação de outros políticos no esquema investigado.