O recente entendimento entre Estados Unidos e Irã diminuiu os receios de uma escalada imediata do conflito no Oriente Médio, mas investidores permanecem cautelosos diante das dúvidas sobre a efetiva implementação do acordo de paz, os impactos na inflação global e as próximas decisões do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.

Cenário de incerteza

Para Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Investimentos, a sensação predominante nos mercados é de que "a guerra chegou ao fim, mas não acabou". A afirmação reflete a percepção de que, embora o risco de um conflito armado de grandes proporções tenha sido afastado temporariamente, as condições para uma paz duradoura ainda são frágeis.

Impactos na inflação global

Entre os fatores que alimentam a apreensão dos investidores está o impacto do acordo sobre a inflação mundial. A economia global já enfrenta pressões inflacionárias, e qualquer nova interrupção no fornecimento de petróleo ou commodities, decorrente de instabilidade na região, poderia complicar ainda mais o cenário para os bancos centrais.

Próximos passos do Fed

A atenção também se volta para o Federal Reserve. A autoridade monetária dos Estados Unidos acompanha de perto os desdobramentos geopolíticos, pois eles influenciam diretamente as expectativas de inflação e, consequentemente, o ritmo de aperto monetário. A incerteza sobre o cronograma de cortes ou manutenção dos juros permanece elevada entre os agentes financeiros.

"A guerra chegou ao fim, mas não acabou" — Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Investimentos