Gianni Infantino, presidente da Fifa, negou na 4ª feira (24.jun.2026) que as pausas obrigatórias para hidratação na Copa do Mundo de 2026 tenham motivação financeira. O dirigente afirmou que o calor intenso justifica o protocolo e que a medida busca garantir condições iguais de jogo entre todas as seleções participantes.
A mudança tem sido alvo de críticas de atletas, técnicos e torcedores, que afirmam que os intervalos descaracterizam o futebol e interrompem o ritmo das partidas. Virgil van Dijk, capitão da seleção da Holanda, criticou as pausas e a exibição de comerciais durante as interrupções.
“Essas pausas para hidratação são um pouco curiosas, porque eu assisti a praticamente todos os jogos até hoje e, toda vez, entra um intervalo comercial… Não é algo de que eu goste”, disse Van Dijk depois de Holanda 2 x 2 Japão, na estreia na competição, em 14 de junho de 2026.
Para Infantino, o calor intenso registrado em algumas partidas é o principal motivo para as paradas. “É verão no hemisfério norte.” Ele também citou o desgaste físico dos atletas ao longo de um torneio de longa duração, realizado no fim da temporada europeia de futebol.
“O principal motivo é o calor, mas também temos que entender que, em uma competição como a Copa do Mundo da Fifa, disputada ao longo de 39 dias, com as equipes potencialmente jogando 8 partidas nesse período, ter um momento para descansar é extremamente importante”, disse o presidente da Fifa em comunicado enviado à Reuters.
As pausas são realizadas independentemente das condições climáticas e do estádio. O protocolo seguirá em vigor, por exemplo, no 1º jogo eliminatório da seleção brasileira, na 2ª feira (29.jun), às 12h (horário do Texas), no NRG Stadium, em Houston, arena climatizada e com teto retrátil. No horário de Brasília, a partida será às 14h.
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A implementação de duas pausas por partida cria espaços adicionais nas transmissões para inserção de publicidade, o que levou a questionamentos sobre os reais interesses por trás da medida. O modelo se aproxima do adotado em ligas norte-americanas como a NFL (Liga Nacional de Futebol Americano) e a NBA (National Basketball Association), que incluem diversas interrupções comerciais.
A Fox, emissora responsável pela transmissão da Copa do Mundo em inglês nos Estados Unidos, vende espaços publicitários de 30 segundos por valores de US$ 200 mil a US$ 300 mil (de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão) na maior parte das partidas. Em jogos da seleção norte-americana e nas fases finais, o preço chega a US$ 750 mil (R$ 3,8 milhões) por inserção, segundo a BBC.
Com duas pausas obrigatórias de 3 minutos por partida, a publicidade exibida nesses intervalos pode gerar mais de US$ 250 milhões (R$ 1,3 bilhão) em receita para a Fox apenas nos Estados Unidos.
Infantino rejeitou essa interpretação. Segundo ele, a entidade “não ganha absolutamente nada com as pausas”. O dirigente afirmou que os contratos comerciais da Copa já estavam assinados antes da adoção do protocolo.
“Não há receita adicional para a Fifa, pois todos os acordos comerciais foram assinados bem antes. Então, isso não é uma questão financeira para nós. Para nós, é puramente uma questão esportiva”, afirmou Infantino.
COPA DO MUNDO
A Copa do Mundo é um evento esportivo privado com fins lucrativos, realizado a cada 4 anos pela Fifa. As seleções se classificam por meio de eliminatórias. A comissão técnica e o elenco de cada time que disputa a competição são escolhidos por entidades privadas.
No caso do Brasil, cabe à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) definir quem é o treinador e quais são os jogadores “convocados” (na realidade, todos são convidados e vão os que têm interesse; como o ganho comercial de marketing é grande, os atletas aceitam a convocação). A CBF é uma organização de direito privado e sem vínculo com o governo federal.
O governo do Brasil não tem influência na escolha do time que participa do torneio. Ou seja, não é o país que está representado na Copa do Mundo, mas uma equipe de futebol escolhida por uma entidade privada.