A Índia pode ampliar de forma expressiva sua presença comercial nos países do BRICS nos próximos anos. Projeção da Associação das Câmaras de Comércio e Indústria da Índia, a Assocham, aponta que as exportações indianas para o grupo podem chegar a US$ 200 bilhões até 2030, mais que o dobro do patamar atual.

No ano fiscal de 2025–2026, as vendas da Índia aos países do BRICS somaram cerca de US$ 96 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 494 bilhões. A expectativa da entidade é que a participação indiana nas importações do bloco avance para 4% até o fim da década.

O crescimento é associado ao aprofundamento da cooperação econômica Sul-Sul e à busca dos países emergentes por novas cadeias de fornecimento, com menor dependência dos centros tradicionais da economia global.

Segundo especialistas ouvidos no relatório, alguns setores devem liderar esse movimento. Entre eles estão eletrônicos, máquinas e equipamentos, indústria química, farmacêutica, automóveis, autopeças, têxteis, couro, joias e pedras preciosas.

A área agrícola também aparece como uma frente importante. Produtos como arroz, alimentos processados e frutos do mar podem ganhar espaço nos mercados do BRICS, impulsionados pela demanda crescente em economias emergentes.

Representantes do setor empresarial avaliam que a Índia reúne condições para aproveitar esse momento por causa da expansão de sua capacidade produtiva e do aumento de sua competitividade nas cadeias globais de fornecimento.

De acordo com a Assocham, o comércio total da Índia com os países do BRICS alcançou aproximadamente US$ 417 bilhões no ano fiscal de 2025–2026, cerca de R$ 2,14 trilhões.

O relatório também destaca o peso econômico e geopolítico do bloco. Hoje, os países do BRICS respondem por cerca de 40% do PIB mundial, 26% do comércio global e quase metade da população do planeta.

Nesse cenário, a Índia vê no grupo uma plataforma estratégica para ampliar exportações, diversificar mercados e fortalecer sua posição entre as principais economias emergentes.