A Ponte Jornalismo publicou uma análise sobre o uso recorrente do verbo 'confundir' em reportagens da grande mídia para descrever mortes cometidas por policiais no Rio de Janeiro. Segundo o texto, títulos como 'PMs admitem que confundiram ferramentas com fuzil ao matarem pedreiros em São Gonçalo' e 'PM confunde pedaço de madeira com fuzil e mata catador no Rio' exemplificam uma narrativa que ameniza os assassinatos e compra a versão oficial sem questionamento crítico.
O jornalista Paulo Batistella, citado na reportagem, afirma que a alegação de 'confusão' é comum e que a imprensa a reproduz já nos títulos, o que parece suavizar cada morte. No caso dos pedreiros Marcelo e Edivan, mortos em São Gonçalo, a justificativa da Polícia Militar foi de que uma ferramenta foi confundida com um fuzil.

A análise aponta que a expressão 'confusão' nunca é usada em casos ocorridos na Zona Sul do Rio ou envolvendo pessoas brancas e ricas. A crítica sustenta que a imprensa naturaliza a lógica da guerra às drogas e o racismo estrutural, que tornam certos corpos e territórios alvos 'naturais' da polícia, independentemente de ameaça real.
O texto também menciona que a ausência de questionamento sobre a atuação policial em comunidades periféricas reforça a ideia de que o Estado tem uma polícia feita para executar, e não para policiar. Quando a vítima não se enquadra no perfil de 'executável', o argumento da 'confusão' é usado como última saída.
A reportagem conclui que a narrativa da confusão é desmontada pela constatação de que não há confusão em bairros nobres, onde pessoas brancas podem portar objetos como guarda-chuvas sem risco de serem mortas. Já em territórios periféricos, o porte de ferramentas ou a simples presença de uma pessoa negra pode ser fatal.
Com informações de Ponte Jornalismo — leia a matéria original.