O Ibovespa registrou a oitava semana consecutiva de queda, a maior sequência de perdas desde o lançamento do Plano Real, em 1994. O principal índice da bolsa brasileira acumulou perda de 2,74% na semana e fechou a última sessão aos 169.019,12 pontos. O dólar à vista subiu 2,27% no período, encerrando a R$ 5,1572.
Pressões externas e domésticas
O mercado foi impactado pelo novo 'tarifaço' do governo Trump. Na terça-feira (2), o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendou a implementação de uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil, citando práticas consideradas injustas com empresas norte-americanas. No dia seguinte, a Casa Branca ameaçou impor uma taxa adicional de 12,5% a importações de 60 países, incluindo o Brasil.
Além disso, os EUA oficializaram a classificação das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como 'organizações terroristas'. A decisão, assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio, foi publicada no Diário Oficial norte-americano. Segundo a consultoria Eurasia, a medida traz riscos econômicos imediatos para empresas e instituições financeiras brasileiras. No entanto, a analista Julia Thomson, em entrevista ao Money Times, considerou 'improvável' alguma sanção de grande porte contra instituições financeiras do Brasil, pelo menos por ora.
Dados dos EUA também influenciaram as expectativas de juros. O payroll de maio mostrou a criação de 172 mil empregos, bem acima das 85 mil vagas esperadas pelos economistas consultados pela Reuters. Com isso, o mercado voltou a precificar uma elevação dos juros pelo Federal Reserve no segundo semestre. No Brasil, a curva de juros futuros passou a indicar 68% de probabilidade de manutenção da Selic em 14,50% ao ano na próxima reunião do Copom, em 17 de junho.
Tensões no Oriente Médio
No início da semana, Israel e Líbano firmaram um novo cessar-fogo, mas as negociações de paz entre Estados Unidos e Irã seguem travadas. Nesta sexta-feira (5), o conselheiro militar do Líder Supremo do Irã, Mohsen Rezaei, afirmou à CNN que 'as negociações estão num impasse' e que, sem acordo, o Irã pode expandir a guerra para o Oceano Índico e atacar outras bases militares dos EUA. As declarações ocorreram após os EUA anunciarem novas sanções contra entidades, indivíduos e navios-tanque de gás GLP ligados ao Irã.
Os preços do petróleo Brent subiram 2,16% na semana, fechando a US$ 93,09 o barril.
Destaques do Ibovespa
Maiores altas
A ponta positiva foi liderada pela Copasa (CSMG3), que subiu 7,19%, impulsionada pelo avanço do processo de privatização. Na quinta-feira (4), a Itaúsa informou que o consórcio Livorno Participações desistiu de apresentar nova proposta para adquirir 30% do capital. Com isso, a Equatorial (EQTL3) foi escolhida como investidora de referência finalista. Pela proposta, a Equatorial se compromete a investir R$ 49,03 por ação na alocação prioritária, totalizando cerca de R$ 5,59 bilhões, podendo chegar a R$ 7,95 bilhões com alocação adicional. O JP Morgan estima que as ações da Copasa podem se valorizar mais 10% se a privatização se confirmar.
Outras altas da semana: Metalúrgica Gerdau (GOAU4) +3,67%, Brava Energia (BRAV3) +3,60%, Gerdau (GGBR4) +2,37%, Klabin (KLBN11) +2,22%, Usiminas (USIM5) +1,90%, Engie (EGIE3) +1,63%, Rumo (RAIL3) +1,60%, Cemig (CMIG4) +1,30% e Tim (TIMS3) +0,78%.
Maiores quedas
A ponta negativa foi liderada pela Braskem (BRKM5), que caiu 16,35% pela segunda semana consecutiva. A gestora IG4 e a Petrobras (PETR4) tornaram-se co-controladores da petroquímica, com a IG4 detendo 50,1% das ações com direito a voto e a Petrobras, 47%. Na sexta-feira, a Braskem afirmou que não tomou decisão formal sobre recuperação extrajudicial ou outras medidas de reestruturação, mas que as análises continuam em andamento.
Outras quedas: Cyrela (CYRE3) -11,86%, Azzas 2154 (AZZA3) -11,34%, CSN (CSNA3) -10,73%, Hapvida (HAPV3) -9,88%, Cury (CURY3) -9,61%, Magazine Luiza (MGLU3) -9,03%, Direcional (DIRR3) -8,51%, Eneva (ENEV3) -7,14% e Yduqs (YDUQ3) -6,92%.
Com informações de Money Times.