O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou alta de 1,24% na manhã desta segunda-feira, 15, cotado a 173.247 pontos, após o anúncio de um acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O movimento positivo recupera parte das perdas acumuladas nos últimos 30 dias, quando o índice recuou 2,1%.
Acordo de cessar-fogo impulsiona mercado
O acordo, anunciado no domingo, 14, pelo Paquistão, que conduziu as negociações, prevê a interrupção das ofensivas militares e a reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo. A assinatura do documento está marcada para sexta-feira, 19, na Suíça.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou expectativa pela assinatura. “Parabéns a todos!”, escreveu em uma rede social. “Por meio deste, autorizo integralmente a abertura do Estreito de Ormuz sem pedágio e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos EUA”, completou. Segundo fontes, o programa nuclear do Irã não será afetado por este acordo preliminar, o que demonstra o poder de barganha do país persa.
Semana decisiva para juros no Brasil e nos EUA
A notícia do acordo chega em uma semana crucial para a política monetária global. Na quarta-feira, 17, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) decide sobre sua taxa de juros, enquanto o Banco Central do Brasil define os rumos da Selic. A coincidência das duas decisões é chamada pelo mercado financeiro brasileiro de “Super Quarta”. Antes do anúncio do cessar-fogo, a expectativa majoritária era de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa brasileira, embora a possibilidade de manutenção também fosse considerada.
Expectativas de inflação e Selic pioram no Focus
Apesar do alívio externo, o cenário doméstico ainda preocupa. O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 15, sem incorporar os efeitos do acordo, apontou piora nas projeções de inflação e juros. Os agentes de mercado consultados estimam inflação de 5,3% ao final do ano, acima do teto da meta do Banco Central, de 4,5%. Para a Selic, a expectativa é que encerre 2026 em 13,75%.