O Ibovespa registrou a oitava semana consecutiva de queda, acumulando perda de 2,74% entre os dias 1º e 5 de junho, encerrando o período aos 169.019 pontos. A sequência negativa é a pior desde o lançamento do Plano Real, em 1994.

Maiores quedas

A Braskem (BRKM5) foi a ação com pior desempenho, com recuo de 16,35%. A petroquímica segue sob pressão após mudanças na estrutura de controle e incertezas sobre uma eventual recuperação extrajudicial. A empresa afirmou que não tomou decisão formal sobre o tema, mas avalia alternativas para otimizar a estrutura financeira.

Outras empresas com perdas expressivas foram: Cyrela (CYRE3, -11,86%), Azzas 2154 (AZZA3, -11,34%), CSN (CSNA3, -10,73%), Hapvida (HAPV3, -9,88%), Cury (CURY3, -9,61%), Magazine Luiza (MGLU3, -9,03%), Direcional (DIRR3, -8,51%), Eneva (ENEV3, -7,14%) e Yduqs (YDUQ3, -6,92%).

Maiores altas

A Copasa (CSMG3) liderou os ganhos, com avanço de 7,19%, impulsionada pelos desdobramentos do processo de privatização. A Equatorial (EQTL3) foi definida como investidora de referência finalista, após a desistência do consórcio Livorno Participações. Segundo o JP Morgan, as ações da Copasa ainda podem subir cerca de 10% caso a desestatização seja concluída.

Outras altas da semana: Metalúrgica Gerdau (GOAU4, +3,67%), Brava Energia (BRAV3, +3,60%), Gerdau (GGBR4, +2,37%), Klabin (KLBN11, +2,22%), Usiminas (USIM5, +1,90%), Engie Brasil (EGIE3, +1,63%), Rumo (RAIL3, +1,60%), Cemig (CMIG4, +1,30%) e Tim (TIMS3, +0,78%).

Fatores que pressionaram o mercado

No exterior, as atenções se concentraram no Oriente Médio. Apesar de um cessar-fogo entre Israel e Líbano, as negociações entre Estados Unidos e Irã seguem travadas. O conselheiro militar do líder supremo iraniano, Mohsen Rezaei, afirmou que as conversas estão em impasse e sugeriu possível expansão do conflito. Os EUA anunciaram novas sanções ao Irã, elevando o preço do petróleo Brent para próximo de US$ 93 por barril, alta de 2,16% na semana.

O payroll dos EUA mostrou a criação de 172 mil vagas em maio, muito acima das 85 mil esperadas. Um mercado de trabalho aquecido reduz a urgência de cortes de juros pelo Federal Reserve, o que tende a ser negativo para mercados emergentes como o Brasil.

No cenário doméstico, o governo americano recomendou tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e ameaçou cobrança adicional de 12,5%, o que pode dificultar as exportações. Além disso, o mercado passou a apostar na manutenção da Selic em 14,50% ao ano na próxima reunião do Copom, após indicadores econômicos e fortalecimento do dólar.

Com informações de Seu Dinheiro.