A Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata) projeta que o fluxo de passageiros em voos domésticos no Brasil deve cair para menos de 90 milhões em 2026, após ter atingido um recorde de mais de 100 milhões em 2025. O vice-presidente para Américas da entidade, Peter Cerdá, afirmou que o alto custo das passagens aéreas tornará as viagens inacessíveis para muitas pessoas.
“Em um país como o Brasil, onde neste [último] ano [2025] tivemos um recorde de mais de 100 milhões de passageiros em voos domésticos, infelizmente voltaremos a ficar abaixo de 90 milhões por causa do alto custo das viagens. Simplesmente não será acessível para muitas pessoas”, disse Cerdá em entrevista a jornalistas.
A Iata realiza sua assembleia geral anual (IATA AGM) no Rio de Janeiro neste fim de semana, evento que retorna à América do Sul após 27 anos.
Críticas à tributação e judicialização
Cerdá criticou a alta judicialização do setor no Brasil e a elevada carga tributária imposta por governos da América Latina. Segundo ele, a entidade tem se reunido com o Ministério da Fazenda e outras áreas do governo para defender reduções de impostos sobre a aviação, seguindo exemplos de outros países.
“Temos nos reunido com o Ministério da Fazenda e com outras áreas do governo para explicar a importância do transporte aéreo e mostrar o que tem sido feito em outros países ao redor do mundo, onde a aviação recebe um desconto ou uma alíquota menor de imposto, de forma que isso não prejudique a continuidade do crescimento das viagens aéreas”, afirmou.
Impacto da reforma tributária
De acordo com estimativas da Iata, as mudanças previstas na reforma tributária devem elevar os preços das passagens e reduzir a demanda em 30% no setor. O valor médio da passagem doméstica no Brasil subiria 23%, chegando a US$ 160 (cerca de R$ 827). Para voos internacionais, o aumento seria de 26,3%, com média de US$ 935 (aproximadamente R$ 4.836).
Efeitos sobre carga aérea e economia
Cerdá alertou que a retração do mercado também afetará o transporte aéreo de carga. “Se o mercado encolher, haverá menos voos e menos espaço disponível nos porões das aeronaves. No fim das contas, outros setores da economia também serão afetados, já que essas mercadorias não poderão ser transportadas com a mesma facilidade”, disse.
O executivo destacou ainda os desafios estruturais da indústria, especialmente o custo do combustível, que representa entre 30% e 40% dos custos das companhias aéreas e tem aumentado desde a escalada da guerra no Irã. “Há fatores estruturais que afetam as companhias aéreas e tornam as viagens mais caras. Atualmente, entre 30% e 40% dos custos das companhias aéreas estão relacionados ao combustível, e essa volatilidade continua exercendo pressão sobre o setor”, afirmou.
“E isso certamente não é apenas uma questão financeira. Esse cenário leva ao aumento dos preços das passagens, reduz a conectividade e limita os investimentos. No fim das contas, os mais impactados são os passageiros, o turismo na região e, sem dúvida, as economias dos países”, completou Cerdá.
Com informações de Folha — Mercado.