Durante a 82ª assembleia anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), a sustentabilidade e a busca por alternativas aos combustíveis fósseis dominaram os debates. Apesar de metas ambiciosas de descarbonização até 2050, o progresso tem sido considerado insuficiente.
De acordo com dados da IATA, a produção global de SAF (combustível sustentável de aviação) passou de 1 milhão de toneladas em 2024 para 1,9 milhão de toneladas em 2025, com previsão de atingir 2,4 milhões de toneladas até o fim do ano. No entanto, a associação destaca que esse volume representa apenas 0,8% das necessidades totais de combustível das companhias aéreas.
Willie Walsh, diretor-geral da IATA, lembrou que a meta é alcançar 65% (ou 500 milhões de toneladas) até 2050. “A lacuna é enorme e não está se fechando com rapidez suficiente”, afirmou.
Demanda por SAF e oferta insuficiente
Walsh declarou que as companhias aéreas emitiram “sinais inequívocos” de demanda por SAF, com mais de 180 acordos de compra assinados desde 2021. “Um registro de SAF, um sistema de matchmaking e princípios contábeis já estão em vigor para apoiar o desenvolvimento de um mercado global de SAF”, disse.
Contudo, a oferta não acompanha a demanda. Walsh citou projetos de SAF cancelados ou reduzidos em países como Suécia, Holanda, Alemanha, Espanha, Dinamarca, Reino Unido e Singapura. Ele defendeu que os governos priorizem incentivos em vez de mandatos. “Onde os incentivos foram usados primeiro, a produção aumentou com sucesso. Isso foi demonstrado pelos créditos tributários à produção nos EUA. O Brasil tem enorme potencial em SAF e parece estar se movendo na direção certa, mas precisa alinhar suas políticas para ter sucesso”, recomendou.
Para Walsh, a maioria dos governos “colocou a carroça na frente dos bois com os mandatos”, elevando preços sem criar oferta. Ele classificou a situação na União Europeia e no Reino Unido como “absurda”, com companhias aéreas pagando bilhões em “adicionais de conformidade” que compensam fornecedores por penalidades por não produzirem SAF suficiente, mesmo que as aéreas queiram comprar mais do que é produzido.
Acordo CORSIA ameaçado
A IATA também alertou que o CORSIA, primeiro acordo setorial global para administrar emissões de carbono, está ameaçado. Segundo Walsh, os créditos de compensação (EEUs) precisam ser alocados a partir dos compromissos do Acordo de Paris, mas isso não está ocorrendo. As companhias aéreas necessitam de 170 a 236 milhões de EEUs para a primeira fase do CORSIA, mas apenas 10 países disponibilizaram esses créditos, totalizando 38 milhões de EEUs.
“Isso está muito aquém do necessário. Mas há potencial para muito mais. Os US$ 4 bilhões a 5 bilhões em financiamento climático em jogo são um grande incentivo. E a solução é simplesmente alinhar processos internos de governo”, afirmou Walsh.
O executivo criticou ainda os “ataques constantes” da UE ao CORSIA, que, segundo ele, visam favorecer o EU ETS. “Não há nada a ganhar com a UE repetir um fracasso constrangedor. A UE foi instrumental no CORSIA. Seus atuais esforços para minar o CORSIA precisam ser chamados pelo que são — desonestos e inaceitáveis”, concluiu.
Com informações de InfoMoney.