O escritor japonês Haruki Murakami, de 77 anos, lança na terça-feira 9 o romance A Cidade e Suas Muralhas Incertas, pela editora Alfaguara. Com 504 páginas, a obra chega às livrarias com preço sugerido de R$ 99,90 (versão impressa) e R$ 39,90 (e-book), em tradução de Jefferson José Teixeira.

O livro parte de uma novela publicada em 1980 em uma revista literária japonesa, com a qual Murakami nunca ficou satisfeito. Segundo o autor, no posfácio, ele sentia que a obra continha algo vital, mas lhe faltava habilidade para transmiti-lo. Durante a pandemia de covid-19, ele retomou o material e passou três anos reescrevendo-o, quase sem sair de casa — situação similar à do protagonista, um “leitor de sonhos” em uma biblioteca sem livros, dentro de uma cidade cercada por muralhas que mudam de lugar.

Enredo e temas

A história começa com um casal de adolescentes apaixonado que se separa de forma abrupta, sem despedida ou explicação. A separação deixa marcas profundas no protagonista e narrador não nomeado, que carrega esse amor impossível por décadas, incapaz de formar outros vínculos significativos. A trama aborda identidades que mudam ao longo da vida, desejos não realizados e amores imaginários que habitam o limbo entre o que foi e o que poderia ter sido. A narrativa é lenta e contemplativa, com elementos fantásticos como unicórnios e fantasmas.

Carreira e estilo

Nascido em 1949 em Quioto, Murakami cresceu lendo Kafka, Dostoiévski e Fitzgerald. Apaixonou-se pelo jazz aos 15 anos e chegou a gerenciar um bar do gênero em Tóquio, o Peter Cat, antes de se dedicar integralmente à escrita. A decisão de escrever veio durante um jogo de beisebol em 1978, quando, na arquibancada, sentiu que poderia escrever um romance. O sucesso veio com Norwegian Wood (1987), que vendeu mais de 2 milhões de cópias no Japão. Desconfortável com a celebridade, mudou-se para os Estados Unidos no início dos anos 1990. A trilogia 1Q84 vendeu mais de 10 milhões de cópias mundialmente, consolidando-o como fenômeno global. Adaptações cinematográficas incluem Em Chamas (2018), premiado em Cannes, e Drive My Car (2021), vencedor do Oscar de melhor filme internacional.

Murakami é conhecido por sua prosa poética e reflexiva, que mescla fantasia, ficção científica e realidades paralelas. Em um trecho do novo romance, dois personagens conversam sobre Gabriel García Márquez: um observa que, embora a crítica chame sua obra de realismo mágico, talvez para o colombiano aquilo fosse apenas realismo. O narrador responde: “Em outras palavras, o real e o irreal existiam um ao lado do outro e se equivaliam, e García Márquez só registrava isso de maneira honesta”. A frase resume a visão de Murakami, que não faz distinção de importância entre o real, o mágico e o imaginário.

O autor, que há anos figura entre os favoritos ao Nobel de Literatura, já declarou à revista The New Yorker que um “romancista cavalheiro” sequer deveria pensar no prêmio. Enquanto isso, continua correndo maratonas, ouvindo jazz e escrevendo.

Com informações de Veja.