A seleção do Haiti, adversária do Brasil no Grupo C da Copa do Mundo, deixou impressões variadas nos dois amistosos preparatórios antes da competição. Após golear a Nova Zelândia por 4 a 0, a equipe caribenha foi derrotada de virada pelo Peru, comandado por Mano Menezes, por 2 a 1, nesta sexta-feira (5).
Em ambos os jogos, o Haiti adotou uma proposta tática semelhante: ataques verticais e em alta velocidade, explorando contra-ataques, roubadas de bola e saídas diretas com lançamentos. Contra a Nova Zelândia, os gols saíram de jogadas rápidas finalizadas na área. Diante do Peru, a estratégia também funcionou no início.
Aos 15 minutos do primeiro tempo, André Carrillo, do Corinthians, foi pressionado e perdeu a posse no meio-campo. Louicius Deedson recebeu pela direita e tocou em profundidade para Wilson Isidor, destaque do Haiti e jogador do Sunderland, que finalizou com categoria na saída do goleiro, abrindo o placar.
Pressão sem bola pode ser arma contra o Brasil
O aspecto mais marcante da atuação haitiana contra o Peru foi a intensidade defensiva. Quando os sul-americanos tentavam construir jogadas desde o goleiro, o Haiti subia a marcação de forma individual no esquema 4-4-2, sufocando os adversários na saída de bola. Essa agressividade também aparecia em momentos de hesitação ou passes para trás no meio-campo, como no lance que originou o gol.
De acordo com a análise, essa postura pode criar dificuldades para a seleção brasileira, que, mesmo contando com um zagueiro de boa saída como Gabriel Magalhães, enfrenta problemas para progredir com passes curtos desde a defesa, especialmente sob pressão intensa e sem um meio-campista de ligação eficiente.
Bolas paradas expõem fragilidade haitiana
A virada peruana ocorreu em apenas três minutos, já no fim do segundo tempo, com os dois gols saindo de escanteios. Renzo Garcés e Jairo Vélez aproveitaram espaços generosos na área para finalizar. Essa deficiência já havia sido notada no amistoso anterior, quando a Nova Zelândia criou perigo em lances de bola parada, mesmo com o placar desfavorável.
O contexto dos adversários, porém, é relevante. A Nova Zelândia ocupa a 85ª posição no ranking da Fifa, e o Peru é o vice-lanterna das Eliminatórias Sul-Americanas — desafios muito abaixo do que o Haiti enfrentará na Copa do Mundo. Ainda assim, as atuações mostraram qualidades, e a derrota só veio quando os reservas já estavam em campo.
O Haiti estreia no Mundial contra a Escócia em 13 de junho, depois enfrenta o Brasil no dia 19 e encerra a fase de grupos contra Marrocos no dia 24. Será a segunda participação do país em Copas — a primeira foi em 1974, com três derrotas. A equipe busca os primeiros pontos e o primeiro gol de sua história no torneio.
Com informações de Trivela.