O goiano Guto Miguel, de 17 anos, tornou-se neste sábado o primeiro brasileiro campeão da chave de simples masculina juvenil em Roland Garros. Com a conquista, ele igualou o feito de João Fonseca e assumiu a liderança do ranking mundial sub-18.

— Quando eu era criança, sempre via o Djokovic jogar, mas agora sou um grande fã do João Fonseca. O que ele vem fazendo é incrível. O Brasil tem uma grande história aqui em Roland Garros, o que Guga já fez, o que o João fez esta semana. Acho que fiz um pouquinho mais para o Brasil aqui. O Brasil está vivendo um grande momento de novo. Todos os jogadores estão crescendo juntos. Isso é bom — declarou Guto em entrevista coletiva após o título.

Trajetória e inspiração

Luís Augusto Miguel nasceu em Goianésia e cresceu em Goiânia. Começou a jogar tênis aos quatro anos, influenciado pelo irmão mais velho Luís Felipe. Aos 14 anos, mudou-se para Brasília para treinar na Academia Dumont, onde é orientado pelos técnicos Santos Dumont e Kike Grangeiro. Também passou pela Academia Mouratoglou, na França.

A trajetória de Guto é semelhante à de João Fonseca, dois anos mais velho. Os dois mantêm contato desde o US Open de 2025, quando Guto chegou à semifinal juvenil e treinou com Novak Djokovic. João deu conselhos que o jovem segue à risca.

— Um conselho que ele me deu foi aplaudir quando o adversário fizer uma jogada, assim você demonstra para ele que você não está afobado e nem desesperado no jogo — revelou Guto, que conquistou em Paris o sétimo título da carreira na categoria sub-18.

Transição para o profissional

Com estilo agressivo, Guto repetiu feitos de João Fonseca: título de Grand Slam juvenil, número 1 do mundo juvenil e estreia na chave principal do Rio Open aos 16 anos. Na transição para o profissional, ele abriu o ano na posição 1.586 da ATP, chegou ao posto 829 e, após a atualização, cairá para 834 — um salto de mais de 750 colocações. Em seu ano de transição, João Fonseca fechou 2023 como número 711 e passou a 145º no ano seguinte.

Além do ATP 500 do Rio, Guto disputou eventos Challenger e o qualifying do Masters 1.000 de Miami. Ainda sem calendário definido após o título, ele foca em terminar a temporada como número 1 do mundo e deve deixar de disputar torneios sub-18 no ano que vem.

— É muito trabalho duro que eu e meu time tivemos, não apenas nesta semana, mas há muitos anos. O título fez tudo valer a pena. Estou muito feliz, mas me mantenho humilde, porque ainda temos muito o que fazer — afirmou.

Contexto histórico

A última vez que o Brasil esteve perto do título juvenil masculino foi há quase 70 anos, com Luís Felipe Tavares na final em 1967. Edison Mandarino (1959) e Thomas Koch (1962 e 1963) também chegaram à decisão. Gustavo Kuerten, tricampeão de Roland Garros na chave principal, venceu o juvenil de duplas em 1994. No ano passado, Vitória Miranda foi campeã juvenil de simples e duplas em cadeira de rodas.

Guto Miguel é o quarto brasileiro campeão de simples juvenil em Grand Slams, juntando-se a Tiago Fernandes (Australian Open 2010), Thiago Seyboth Wild (US Open 2018) e João Fonseca (US Open 2023). Também é o quarto a alcançar o topo do ranking juvenil, após Tiago Fernandes (2010), Orlando Luz (2015) e João Fonseca (2023). Ele já havia garantido a liderança ao se classificar para a final, ultrapassando o búlgaro Ivan Ivanov.

Com informações de ge — Globo Esporte.