Luis Augusto Queiroz Miguel, conhecido como Guto, nasceu em Goiânia em 26 de fevereiro de 2009, em uma família de tenistas. Aos 17 anos, ele disputa a final juvenil de Roland Garros e já assegurou a liderança do ranking mundial da categoria, segundo a Federação Internacional de Tênis (ITF).
A trajetória começou em Goianésia, interior de Goiás, onde Guto deu os primeiros passos no esporte aos cinco anos, batendo bola em um paredão com a orientação do pai e do irmão mais velho, Luís Felipe. Aos 14 anos, mudou-se sozinho para Brasília para se profissionalizar, morando em casas de família por oito meses até que os pais se mudassem definitivamente para a capital.
Em Brasília, passou a treinar com Santos Dumont Guimarães e Kike Granjeiro. Guimarães afirmou à Folha que a chegada à final não foi surpresa: “Já esperava. A gente trabalha há muito tempo para isso. O desenvolvimento dele foi absurdo, subiu muito rápido.”
Em 2024, com 15 anos, Guto classificou-se pela primeira vez para Roland Garros juvenil. Em 2025, chegou à semifinal do US Open juvenil e venceu o J500 de Mérida, tornando-se o primeiro brasileiro a levantar um troféu nessa categoria desde Orlando Luz, em 2015. Também treinou ao lado de Holger Rune e passou uma semana no centro de treinamento de Rafael Nadal na Espanha.
Em 2026, venceu o J300 de Traralgon, na Austrália, em simples e duplas, e chegou às quartas do Australian Open juvenil. Iniciou a transição para o circuito profissional com títulos em duplas no Challenger, ao lado do irmão e de outros parceiros. Em fevereiro, recebeu convite para o Rio Open (ATP 500), onde perdeu na estreia.
Nesta sexta-feira (5), Guto venceu a semifinal contra o mato-grossense Leonardo Storck por 6/1, 3/6 e 6/2, em 1h49, em uma partida inteiramente brasileira — a primeira desse tipo na história de um Grand Slam juvenil. Com a vaga, garantiu matematicamente o posto de número 1 do ranking juvenil da ITF, que será oficializado na segunda-feira (8). Ele é o quarto brasileiro a alcançar o topo da categoria, após Tiago Fernandes (2010), Orlando Luz (2015) e João Fonseca (2023).
Neste sábado (6), na quadra Simonne-Mathieu, a partir das 7h de Brasília, Guto enfrenta o americano Michael Antonius, 13º cabeça de chave, que eliminou Keaton Hance por 6/3 e 6/1. Os dois já se enfrentaram uma vez no circuito juvenil, com vitória do americano.
Guto será apenas o quarto brasileiro a disputar uma final de simples juvenil em Roland Garros. Antes dele, Edison Mandarino (1959), Thomaz Koch (1962 e 1963) e Luís Felipe Tavares (1967) chegaram à decisão, mas nenhum levou o troféu. Um eventual título o colocaria no grupo de brasileiros campeões de simples juvenil de Grand Slam, formado por Tiago Fernandes (Australian Open 2010), Thiago Wild (US Open 2018) e João Fonseca (US Open 2023).
“Roland Garros era um sonho desde pequeno. Agora eu estou numa final. Já sou o número 1 do mundo garantido. Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo”, disse Guto à RFI após a vitória.
O técnico Guimarães destacou três qualidades do atleta: “O Guto é muito forte fisicamente, com golpes muito potentes, e tem leitura de jogo. Essas três coisas ele faz muito bem.” Fora da quadra, descreveu-o como “alegre, descontraído, gente boa”.
Guimarães também comentou sobre a pressão: “Agora ele está sentindo muita cobrança, mas segura bem. Tem altos e baixos, como todo juvenil. É muita pressão em cima dele, foi tudo muito rápido.”
Guto tem ranking profissional na ATP: 829º em simples e 177º em duplas. O plano, segundo o técnico, é terminar o ano como número 1 juvenil e, em 2027, entrar de vez no profissional, nas classificatórias. “É jovem, tem 17 anos recém-completados. Tem muita coisa para melhorar”, afirmou.
Com informações de Folha — Esporte.