A aviação comercial enfrenta um ciclo recorrente de crises, no qual avanços são interrompidos por fatores geopolíticos e econômicos. Após a pandemia, a guerra atual empurra o setor para uma nova turbulência, segundo Richard Quest, âncora econômico da CNN nos Estados Unidos e especialista em aviação.

“A demanda está forte. As pessoas ainda querem viajar a negócios, visitar amigos e parentes. O problema é que os preços estão muito mais altos, e isso realmente vai causar um efeito”, afirmou Quest à CNN Brasil durante a reunião anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), no Rio de Janeiro.

Quest destaca que o querosene de aviação (QAV) representa historicamente cerca de um terço dos custos operacionais das companhias. Com a escalada do petróleo, o impacto no fluxo de caixa é imediato. No pico recente, o petróleo chegou a ficar 70% mais caro do que antes do conflito.

A aviação opera com custos fixos elevados — como leasing de aeronaves, salários e taxas aeroportuárias — e uma variável volátil: o combustível. Quando esse custo dispara, a margem de lucro se reduz, e o repasse para as tarifas torna-se questão de sobrevivência.

Até agora, o consumidor tem demonstrado resiliência, absorvendo aumentos. Quest avalia que o passageiro aceita pagar entre 20% e 30% a mais antes de desistir da viagem. “As pessoas parecem ainda estar felizes em pagar isso e será um verão forte no Hemisfério Norte. Mas, a longo prazo, se os preços continuarem lá em cima, acho que isso vai mudar”, disse.

O especialista lembra que a indústria já enfrentou crises anteriores, como cinzas vulcânicas, guerras e terremotos. “Vão tirar isso de letra. Agora, mais uma vez, as margens de lucro vão cair. Então, estamos de volta ao marasmo e algumas companhias aéreas vão quebrar”, concluiu.

Com informações de CNN Brasil.