A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) divulgou neste domingo, durante sua 82ª conferência anual no Rio de Janeiro, estimativas que apontam uma redução significativa na lucratividade das companhias aéreas globais em 2025. De acordo com Willie Walsh, diretor-geral da entidade, o lucro líquido do setor deve cair de US$ 45 bilhões no ano passado para aproximadamente US$ 23 bilhões neste ano, uma redução de cerca de 50%. A margem líquida também deve despencar de 4,2% para 2,0%.

Walsh atribuiu o impacto ao conflito no Oriente Médio, que acrescentou US$ 100 bilhões à conta coletiva de combustível das aéreas. Apesar disso, o executivo afirmou que não considera a situação atual uma crise, pois a demanda global por voos continua crescendo, embora em ritmo mais lento do que o esperado antes da guerra — 2,1% no segmento de passageiros e 0,7% em carga.

O diretor-geral destacou que o pior momento da crise para o setor ocorreu entre março e abril. Dados divulgados no final de maio mostram que, em abril, a demanda total (medida em quilômetros pagos por passageiro) caiu 3,4% em relação ao mesmo mês de 2025. Excluindo os dados do Oriente Médio, no entanto, a demanda aumentou 1,2%. Walsh comparou o período com o início da pandemia, quando a queda no transporte aéreo global foi de 99% em março de 2020.

Em nota oficial, Walsh comentou que o aumento nos preços das passagens, necessário para cobrir os custos elevados do combustível, tem sido inicialmente suportado pelos clientes. “Nossas pesquisas sugerem que 86% dos viajantes esperam que as tarifas acompanhem os preços do petróleo. Em linha com isso, 49% esperam gastar mais com viagens neste ano do que no passado. Outros 43% planejam gastar o mesmo”, disse. “Isso é um bom sinal para uma forte temporada de pico do verão no Hemisfério Norte. A grande incógnita é por quanto tempo viajantes e embarcadores conseguirão tolerar os custos mais altos de conectividade”, alertou.

Críticas à cadeia de suprimentos

Na coletiva de imprensa, Walsh fez duras críticas à cadeia de suprimentos aeroespacial, que, segundo ele, continua falhando em entregar aeronaves e motores conforme o prometido. “A carteira de pedidos de aeronaves supera 18 mil unidades. E a idade média da frota atingiu o recorde de 15,2 anos. Além disso, a falta de mais de 5 mil aeronaves de reposição mais eficientes em consumo de combustível, com as quais contávamos, significa ganhos de eficiência perdidos, sem mencionar taxas de leasing mais altas e aumento dos custos de manutenção. No total, as falhas na cadeia de suprimentos custaram às companhias aéreas pelo menos US$ 11 bilhões em 2025. Os preços mais altos do combustível hoje só vão piorar isso”, listou.

Ele comparou a situação com a dos fabricantes de motores, cujos lucros subiram em dois dígitos enquanto as aéreas sofrem com atrasos e entregas abaixo da qualidade. “Os fabricantes precisam se organizar. Perdemos a paciência com eles. Eles precisam focar nos clientes, entregar motores que funcionam. Antes, quando se comprava uma aeronave, não havia preocupação se o motor ia funcionar ou não. Isso era dado”, comentou. “Minha mensagem aos OEMs [fabricantes de equipamentos originais] é simples: parem de explorar as companhias aéreas e voltem a fabricar ótimos motores, que funcionem e durem. Permitir que essas falhas se estendam para a próxima década é totalmente inaceitável para os clientes.”

O executivo pediu ainda avanços em outros temas cruciais para as companhias aéreas, como infraestrutura, política de descarbonização e padronizações globais. Sobre segurança, ele lembrou o forte histórico do setor: “Com um acidente a cada 760 mil voos, voar é a forma mais segura de viajar. Quase 5 bilhões de pessoas viajaram com segurança em 39 milhões de voos no ano passado. Houve, contudo, 51 acidentes, 8 dos quais fatais. Cada um deles foi uma tragédia.” Segundo Walsh, a história mostra o caminho para tornar o setor ainda mais seguro: padrões globais, apoiados pelas melhores práticas do setor e por insights baseados em dados, refletidos em uma regulamentação global consistente. “As fragilidades surgem quando os padrões globais não são aplicados.”

Com informações de InfoMoney.