A demanda por voos no Oriente Médio registrou quedas expressivas em decorrência do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, de acordo com Kamil Alawadhi, vice-presidente para a África e Oriente Médio da Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA). Em março de 2026, a procura por passagens aéreas recuou 59,2% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Em abril, a retração foi de 46,8%, também na base anual.
Alawadhi afirmou que as perdas financeiras para as companhias aéreas somam bilhões de dólares. Segundo ele, dez países da região registraram fechamento total ou parcial de seus espaços aéreos desde o início do conflito. O aeroporto do Kuwait, por exemplo, permaneceu fechado por 70 dias. O terminal 1 do aeroporto, que havia sido recuperado, foi novamente atacado há três dias, e a expectativa é que a retomada plena da capacidade leve até um ano. O Bahrein também fechou seu espaço aéreo na madrugada de sexta-feira.
O executivo alertou que a recuperação aos níveis anteriores ao conflito pode levar vários meses. Ele elogiou a capacidade de Arábia Saudita, Egito e Omã de remanejar seus espaços aéreos para absorver parte da demanda prejudicada. O Egito, por exemplo, ampliou sua capacidade em 430% em apenas três horas. Apesar disso, a maioria das frotas no Golfo permanece 100% no solo, não apenas por questões de segurança, mas também devido a problemas no ecossistema, como a produção e distribuição de combustíveis.
África: regulação e tarifas travam crescimento
Na África, a IATA aponta que os países do continente bloqueiam cerca de US$ 774 bilhões em fundos das companhias aéreas. A Argélia lidera a lista, com Moçambique e Angola também em destaque. Além disso, tarifas extras são um entrave: na Tanzânia, há uma taxa de US$ 45 por “perna” (trecho voado), o que faz com que uma simples ponte aérea tenha um custo adicional de US$ 90.
Alawadhi classificou o crescimento do setor na África como “muito lento” devido a “custos impraticáveis”. A IATA trabalha para demonstrar como o desenvolvimento do transporte aéreo pode ser fundamental para o crescimento econômico desses países.
Com informações de InfoMoney.