Após ataques de Estados Unidos e Israel, o Irã adotou uma estratégia de guerra assimétrica, evitando o confronto direto e utilizando táticas de desgaste. Uma das ações foi bloquear o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, prolongando o conflito e elevando a tensão internacional.
O conceito de guerra assimétrica, formulado pelo cientista político Andrew Mack em 1975, descreve conflitos com profunda disparidade de recursos entre os lados. A metáfora bíblica de Davi e Golias ilustra a lógica: o lado mais fraco evita o combate para o qual o adversário está preparado e explora vulnerabilidades específicas.
No caso do Irã, a geografia é usada como vantagem. O fechamento do Estreito de Ormuz reduziu o tráfego de embarcações de cerca de 138 para 5 ou 6 por dia — uma queda de 95%. O preço do petróleo Brent saltou de US$ 71 para mais de US$ 100, pressionando economias globais e aumentando o custo político para o governo de Donald Trump.
Segundo o professor Vitelio Brustolin (UFF/Harvard), a assimetria também aparece nos custos militares: enquanto um míssil Patriot americano custa até US$ 4 milhões, um drone Shahed iraniano custa de US$ 20 mil a 50 mil. Os drones são lançados em enxames, e após o esgotamento dos Patriots, o Irã utiliza mísseis de cruzeiro ou balísticos.
O Irã também atua por meio de aliados regionais, como Hezbollah e Houthis, ampliando a pressão sem confronto direto entre grandes potências. A estrutura interna da Guarda Revolucionária Iraniana prevê múltiplos níveis de sucessão, garantindo continuidade mesmo com perdas na liderança.
Analistas comparam a estratégia iraniana à Guerra do Vietnã, onde o Viet Cong evitou batalhas diretas e apostou no desgaste. Como resumiu o conselheiro Henry Kissinger: “o guerrilheiro vence se não perder; o exército convencional perde se não vencer”. O Irã busca prolongar o conflito até que EUA e Israel atinjam o ponto de cansaço, permitindo a Teerã negociar com algum poder.
Com informações de BBC News Brasil.