O guanandi (Calophyllum brasiliense), árvore nativa de ampla distribuição no Brasil, tem se mostrado essencial para a conservação do papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), ave ameaçada que vive em uma estreita faixa do litoral do Paraná e sul de São Paulo. A espécie fornece frutos que alimentam a ave e cavidades naturais em suas copas, acima de 15 metros de altura, que servem como ninhos.
Histórico de exploração
O guanandi foi intensamente explorado desde o período colonial, sendo conhecido como uma das primeiras madeiras de lei do Brasil. Uma legislação imperial de 7 de janeiro de 1835 exigia autorização da Coroa para sua exploração e exportação, devido ao alto valor econômico e estratégico. Apesar das restrições, a árvore continuou sendo alvo de exploração seletiva, especialmente para uso naval e construção de mastros, o que a levou a entrar na lista de espécies ameaçadas em diversos estados.

Relação ecológica com o papagaio
O papagaio-de-cara-roxa, que tem ocorrência restrita à Baía de Paranaguá e áreas vizinhas, depende de árvores maduras para nidificar. As cavidades naturais do guanandi levam décadas para se formar, exigindo florestas antigas e bem conservadas. Um projeto de conservação liderado pela bióloga Elenise Sipinski, da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), utiliza caixas-ninho artificiais para suprir a escassez de ocos naturais. O trabalho resultou na melhora do status de conservação da ave, que passou de "Em Perigo" para "Vulnerável".
Projeto de restauração
Atualmente, o projeto Entre Mangues e Caranguejos, executado pela SPVS com financiamento do BNDES e da Petrobras, por meio da iniciativa Floresta Viva, realiza o enriquecimento de áreas em regeneração na Grande Reserva Mata Atlântica. O guanandi é uma espécie-chave nesse processo, por sua resistência, crescimento relativamente rápido e papel estratégico na alimentação e reprodução do papagaio. As ações incluem a recuperação de antigas pastagens e áreas alagadas ocupadas por capim-braquiária, espécie exótica invasora.

O guanandi, que antes era valorizado por seu interesse econômico, ganha agora um novo significado ecológico, contribuindo para a regeneração da biodiversidade e a conservação de uma das aves mais raras da Mata Atlântica.

Com informações de ((o)) eco.