A Alemanha chega à Copa do Mundo de 2026 tentando apagar a má impressão deixada nas últimas duas edições, quando não conseguiu passar da fase de grupos. Desta vez, os tetracampeões mundiais enfrentarão Costa do Marfim, Equador e a estreante Curaçao.

A estreia do grupo acontece no domingo (14), quando Alemanha e Curaçao se enfrentam em Houston, às 14h (horário de Brasília). Seis horas depois, às 20h (horário de Brasília), Costa do Marfim e Equador encerram a rodada inicial na Filadélfia.

Alemanha

Técnico: Julian Nagelsmann | Capitão: Joshua Kimmich | Como se classificou: Líder do Grupo A das Eliminatórias Europeias | Participações em Copa: 21 | Melhor participação: Campeã (1954, 1974, 1990 e 2014) | Desempenho na última participação: Fase de grupos (2022)

Hansi Flick começou o ciclo de 2026 no comando apesar do vexame na Copa de 2022, mas foi demitido a menos de 12 meses para a Eurocopa. Para seu lugar, a seleção apostou em Julian Nagelsmann, também ex-Bayern de Munique. O impacto imediato foi positivo, com a Alemanha chegando às quartas de final da Euro 2024, eliminada pela campeã Espanha em meio a uma polêmica de arbitragem. A Euro marcou a aposentadoria de Toni Kroos, e o meio-campo carece de uma figura com sua qualidade.

Nagelsmann tem sido criticado pela imprensa local por sua frequente variação tática, e a falta de continuidade ajuda a explicar desempenhos pouco convincentes na Liga das Nações e nas Eliminatórias. A gestão de vestiário também causa desconfiança, com atritos com alguns jogadores. Joshua Kimmich, fundamental no meio-campo do Bayern, será improvisado como lateral-direito devido à carência no setor. Leon Goretzka deve ser o volante titular, mas foi banco no Bayern por boa parte de 2025/26. Manuel Neuer havia se aposentado da seleção, mas voltou semanas antes da lista final e deve ser o titular, embora Oliver Baumann tenha conquistado o posto de número 1.

A instabilidade dos principais atletas, por oscilações ou lesões, traz mais dúvidas do que certezas. A seleção chega pressionada por campanhas vexatórias desde a conquista mundial em 2014, quando jogou seu último jogo de mata-mata no torneio.

O que esperar da Alemanha: Mais uma vez, a seleção alemã chega ao Mundial como uma incógnita. No Grupo E, a expectativa é de classificação, mesmo que não na liderança. Tropeçar demais na fase de grupos pode dificultar o caminho no mata-mata. A partir dos 16-avos-de-final, é improvável que os alemães briguem pelo título, dado o nível de enfrentamento e a preparação inconstante.

Escalação provável (4-2-3-1): Manuel Neuer; Joshua Kimmich, Jonathan Tah, Nico Schlotterbeck, Nathaniel Brown; Aleksandar Pavlovic, Leon Goretzka; Florian Wirtz, Jamal Musiala, Leroy Sané; Kai Havertz.

Destaque: Florian Wirtz, apesar das críticas em sua temporada de estreia no Liverpool, assumiu o protagonismo da seleção. O meia-atacante combina criatividade e fôlego, cortando da ponta-esquerda para o centro. Sem a bola, ajuda na recomposição defensiva. Cortado da última Copa por lesão no joelho, Wirtz é a grande esperança de renascimento da Alemanha. Aos 23 anos, liderou o histórico Bayer Leverkusen campeão inédito da Bundesliga em 2023/24.

Fique de olho: Deniz Undav. A seleção alemã não tem uma unanimidade no comando de ataque, mas Undav merece atenção por sua letalidade próxima à grande área. Finalizador nato, o camisa 26 vem de uma temporada avassaladora no Stuttgart, com 25 gols e 14 assistências em 46 partidas. O desempenho seria argumento para titularidade, mas a relação conflituosa com Nagelsmann deve colocá-lo na reserva. Em amistoso em março, Undav reclamou dos poucos minutos, o que desagradou o treinador.

Curaçao

Técnico: Dick Advocaat | Capitão: Leandro Bacuna | Como se classificou: Líder do Grupo B da terceira fase da Concacaf | Participações em Copa: 1 | Melhor participação: 2026 (estreia) | Desempenho na última participação:

Em sua primeira participação em uma Copa do Mundo, Curaçao se tornará o menor país da história a estar no torneio. Para chegar ao Mundial, a equipe superou a Jamaica no grupo B da terceira fase das eliminatórias da Concacaf, com 12 pontos. Em um confronto direto na última rodada, os Reggae Boys tiveram um pênalti assinalado no fim, mas o VAR salvou o sonho curaçaoense. Com futebol baseado na posse de bola desde a defesa, a equipe comandada por Dick Advocaat conseguiu uma sequência de dez jogos sem derrota durante a competição.

Após a campanha histórica, Advocaat renunciou ao cargo para ficar com sua filha doente e foi sucedido por Fred Rutten, que não pôde assumir em 2023 por motivos de saúde. Com a recuperação da filha, uma pressão nos bastidores ganhou força para que Advocaat reassumisse a seleção antes do início da Copa. Rutten deixou o cargo e abriu caminho para o retorno de Dick, àquela altura com grande apelo popular.

O que esperar de Curaçao: Curaçao sonha em continuar fazendo história. A Onda Azul busca ao menos repetir uma campanha positiva na fase de grupos, como nas Eliminatórias. Contudo, o primeiro desafio contra a Alemanha pode complicar uma tentativa de brigar por um terceiro lugar, que depende do saldo de gols.

Escalação provável (5-4-1): Eloy Room; Shurandy Sambo, Armando Obispo, Riechedly Bazoer, Jurien Gaari, Sherel Floranus; Tahith Chong, Livano Comenencia, Leandro Bacuna, Juninho Bacuna; Jurgen Locadia.

Destaque: Leandro Bacuna. O meia representa Curaçao há mais de uma década, tornando-se líder e símbolo da atual geração ao lado de seu irmão Juninho. Destaca-se pela versatilidade, jogo físico, bom passe e liderança.

Fique de olho: Livano Comenencia. O meia passou nove anos na academia do PSV e foi presença constante nas seleções de base dos Países Baixos. Atualmente no FC Zürich, demonstra técnica, ditando o ritmo do jogo desde a defesa, combinando calma com posse de bola e resistência para atuar tanto na defesa quanto no ataque.

Costa do Marfim

Técnico: Emerse Faé | Capitão: Franck Kessié | Como se classificou: Líder do Grupo F das Eliminatórias da África | Participações em Copa: 3 | Melhor participação: Fase de grupos (2010 e 2014) | Desempenho na última participação: Fase de grupos (2014)

Após 12 anos longe do Mundial, a Costa do Marfim volta como uma das principais seleções africanas do torneio. Com 10 jogos sem perder nas Eliminatórias (oito vitórias, dois empates), a equipe de Emerse Faé marcou 25 gols e não foi vazada nenhuma vez no processo. Campeões da Copa Africana de Nações em 2023, os marfinenses caíram nas quartas da última edição para o Egito, mas mantiveram o bom momento vencendo Coreia do Sul e Escócia nos amistosos de março. É uma geração de jovens promissores e veteranos pontuais, formando um time forte, agressivo e habilidoso no ataque.

Com nomes como Yan Diomandé, Ange-Yoan Bonny, Elye Wahi e Amad Diallo entre os jovens destaques, a Costa do Marfim ainda se apoia na experiência de Nicolas Pépé e Franck Kessié como pilares para uma Copa que pode superar as expectativas.

O que esperar da Costa do Marfim: A Costa do Marfim nunca passou de fase na história das Copas, e esta pode ser a primeira vez. Em um grupo com Alemanha, Curaçao e Equador, tem plenas condições de passar ao menos em segundo lugar e, a depender do chaveamento, ainda conseguiria surpreender nos 16 avos de final.

Escalação provável (4-3-3): Yahia Fofana; Wilfried Singo, Odilon Kossounou, Evan Ndicka, Ghislain Konan; Ibrahim Sangaré, Franck Kessié, Christ Inao; Nicolas Pépé, Evann Guessand, Yan Diomandé.

Destaque: Nicolas Pépé foi de astro na França a flop no Arsenal, mas recuperou seu bom futebol e chega à Copa em alta. O ponta de 30 anos é a principal arma criativa da seleção marfinense, habilidoso, rápido e driblador, podendo causar grandes problemas em situações de um contra um. Kessié também vem de bons anos no futebol saudita e é um “faz-tudo” no meio-campo.

Fique de olho: Yan Diomandé. O jovem de apenas 19 anos já desponta no RB Leipzig e é alvo de diversos gigantes europeus, incluindo o Liverpool. Ponta forte, veloz e vencedor de duelos individuais, pode ser uma arma perigosa para contra-ataques ou para furar defesas no Mundial.

Equador

Técnico: Sebastián Beccacece | Capitão: Não tem um fixo (Enner Valencia, William Pacho e outros já usaram a braçadeira) | Como se classificou: 2º lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas | Participações em Copa: 5 | Melhor participação: Oitavas de final (2006) | Desempenho na última participação: Fase de grupos (2022)

Com uma das melhores gerações de sua história, o Equador construiu um ciclo consistente, em especial após a chegada de Sebastián Beccacece em julho de 2024. O espanhol Félix Sánchez comandou a Tri após a decepcionante Copa de 2022, sendo demitido após a eliminação na Copa América para a Argentina. A atual campeã mundial sofreu para bater os equatorianos.

A cara da equipe desde a chegada do argentino tem sido a intensidade e agressividade sem bola, aproveitando-se de jogadores que estão na elite do futebol mundial, como Piero Hincapié (Arsenal), William Pacho (PSG) e Moisés Caicedo (Chelsea). Com isso, tornou-se uma fortaleza defensiva: dos 12 jogos com Beccacece nas Eliminatórias, só foi vazada duas vezes e passou 10 partidas sem sofrer gols. Terminaram a campanha como vice-líderes, com apenas duas derrotas.

Ao mesmo tempo, porém, isso explica a maior lacuna do time. Em todas as Eliminatórias, foram oito empates, todos por 0 a 0. O setor ofensivo ainda depende de Enner Valencia, aos 36 anos e longe do melhor momento no Pachuca. Ainda assim, é um jogador com aura especial na Copa, competição em que já marcou seis gols (2014 e 2022) e terminou como um dos destaques da edição passada.

O que esperar da seleção equatoriana: O Equador caiu em um grupo equilibrado, com uma clara favorita, uma concorrente ao segundo lugar junto dos sul-americanos e um que deve aproveitar a experiência. Por isso, é possível uma classificação como terceiro ao mata-mata. A partir daí, dependerá muito do adversário, mas talvez o teto realmente seja a primeira eliminatória.

Escalação provável (4-2-3-1): Hernán Galíndez; Alan Franco, Joel Ordóñez, William Pacho, Piero Hincapié; Moisés Caicedo, Pedro Vite; John Yeboah, Joao Plata, Nilson Angulo; Enner Valencia.

Destaque: Moisés Caicedo. O meio-campista é o responsável por ser o passe de qualidade que direciona os ataques, além de ser uma arma para finalizações de fora da área. Sem bola, é o cão de guarda que atormenta e desarma muito os adversários.

Fique de olho: Kendry Páez. Uma das grandes promessas do futebol equatoriano, ainda não conseguiu cumprir as expectativas após sua saída do Independiente del Valle. Foi vendido ainda adolescente ao Chelsea, acumulou problemas extracampo e não deu certo no Strasbourg. Voltou à América do Sul por empréstimo ao River Plate, onde ainda luta para ser consistente. Em uma Copa, o jovem de 19 anos, que deve ganhar minutos saindo do banco, pode enfim mostrar seu potencial e recuperar a confiança. É um jogador muito técnico, meia de boa visão de jogo e capacidade de drible.

Com informações de Trivela.