As semelhanças entre gripe, resfriado, rinite e sinusite costumam gerar dúvidas. Para esclarecer as diferenças, o pneumologista Clystenes Odyr Soares Silva e a infectologista Nancy Bellei, ambos professores da Unifesp, foram entrevistados no programa Sinais Vitais, do Dr. Kalil, que vai ao ar neste sábado (6).

Gripe: febre alta e impacto histórico

Causada pelo vírus influenza, a gripe está entre as doenças respiratórias mais marcantes. “A gripe espanhola matou 40 milhões de pessoas”, lembrou Clystenes. Outras pandemias, como a gripe asiática e a suína, reforçam a persistência do vírus. Atualmente, estima-se que 10% da população mundial contraia gripe a cada ano, com um número de mortes entre 250 mil e 600 mil anualmente.

De acordo com o especialista, a gripe é essencialmente febril. “Quem tem gripe tem febre, e é febre mesmo, 38,5 ou 39 graus”, afirmou. O quadro inclui ainda dor muscular, dor nas articulações, mal-estar e dor de cabeça — sintomas que costumam deixar o paciente de cama.

Rinite: origem alérgica, sem vírus

Diferentemente da gripe e do resfriado, a rinite não é infecciosa. Trata-se de uma condição alérgica, frequente em pessoas com alergia respiratória. Clystenes comentou, com bom humor, que “o melhor serviço de meteorologia é o nariz de quem tem rinite”, já que espirros e congestão nasal podem surgir antes de mudanças no clima. Por ser alérgica, a rinite não exige antibióticos.

Sinusite: quando o quadro viral se complica

A sinusite, ou rinossinusite, geralmente começa com uma infecção viral. A obstrução dos canais que ligam o nariz aos seios da face provoca acúmulo de secreção, congestão e dor. Segundo Clystenes, especialistas em otorrinolaringologia recomendam não usar antibióticos antes de 8 a 10 dias de sintomas persistentes. No início, o tratamento básico inclui descongestionantes e lavagem das vias respiratórias.

Quando há complicação, surgem sinais como dor ao abaixar a cabeça e secreção esverdeada ou purulenta, o que pode indicar infecção bacteriana. Nesses casos, o uso de antibióticos pode ser considerado. O pneumologista alertou que o uso indiscriminado de antibióticos em doenças virais não traz benefício e alimenta a resistência bacteriana, um dos maiores desafios da medicina atual.

Com informações de CNN Brasil.