A poucos dias da abertura da Copa do Mundo 2026, o México enfrenta uma onda de protestos de professores que contrasta com o clima festivo esperado para o evento. Manifestantes da Coordenadoria Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) iniciaram greve nacional por tempo indeterminado e ocupam pontos centrais da Cidade do México, causando bloqueios viários e confrontos com forças de segurança.
Em um dos atos mais simbólicos, os professores ocuparam a fan zone oficial no Zócalo, principal praça da capital, que havia sido planejada para receber torcedores durante o Mundial. Em diferentes pontos da cidade, também derrubaram e incendiaram esculturas gigantes de jogadores de futebol montadas para promover a Copa, deixando mensagens como “sem solução, a bola não rola”.
Motivos dos protestos
A insatisfação dos professores tem origem anterior ao evento esportivo e está relacionada a políticas salariais e previdenciárias do governo da presidente Claudia Sheinbaum. Em maio de 2025, o governo anunciou reajuste salarial de 10%, com implementação prevista para setembro de 2026, mas a CNTE rejeitou a proposta por considerá-la insuficiente diante da inflação.
Os salários dos professores mexicanos variam conforme região e carga horária. Embora profissionais efetivos possam receber acima da média nacional (cerca de R$ 6 mil), o vencimento inicial médio é de aproximadamente R$ 2 mil. A CNTE exige aumento de 100% e melhorias nas regras de aposentadoria. O governo argumenta que atender integralmente às reivindicações seria inviável orçamentariamente.
Há divisões no movimento sindical: enquanto a CNTE adota postura combativa, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Educação (SNTE) defende reajustes mais moderados, em torno de 13% para 2026.
Copa como instrumento de pressão
Para os organizadores, a proximidade da Copa representa oportunidade de ampliar a repercussão internacional. O México será uma das principais sedes do torneio, com expectativa de milhões de turistas. A ocupação do Zócalo já impactou atividades, como o cancelamento de um treinamento para voluntários ligado ao Mundial.
O governo tenta equilibrar duas prioridades: garantir a normalidade dos eventos da Copa e evitar uma resposta repressiva que amplie a crise. Sheinbaum acusou grupos radicais de usar os holofotes do torneio para pressionar o Estado, mas defendeu a continuidade do diálogo.
A abertura do Mundial será entre México e África do Sul nesta quinta-feira (11), às 16h (de Brasília), no Estádio Azteca.
Com informações de Trivela.