O DOJ (Departamento de Justiça dos Estados Unidos) do governo Donald Trump (Partido Republicano) recuou e retirou as intimações que tentavam obrigar jornalistas do The Washington Post e do The Wall Street Journal a depor perante um grande júri federal. A reversão se deu no início deste mês, depois de os 2 veículos terem contestado as ordens judiciais, informou o Post nesta 3ª feira (23.jun.2026), com base em fonte não revelada.

As intimações estavam relacionadas a reportagens sobre segurança nacional. A repórter do Post, Ellen Nakashima, recebeu a intimação por coberturas de possíveis temas sensíveis da área.

O DOJ também emitiu ordens semelhantes a 3 jornalistas do WSJ, que também cobriam segurança nacional. Nenhum dos jornalistas chegou a depor perante o júri.

O Post contestou a intimação em um processo sigiloso no tribunal federal do Distrito Leste da Virgínia. O veículo pediu ao juiz que anulasse a convocação. Uma audiência fechada foi realizada, mas o magistrado ainda não havia se pronunciado sobre a questão quando o DOJ retirou a intimação de Nakashima.

A intimação injustificada de nossa repórter Ellen Nakashima —uma clara violação da liberdade de imprensa garantida constitucionalmente— foi mais um sinal de que o governo busca compelir jornalistas a se tornarem instrumentos de suas investigações”, afirmou o Post em comunicado.

IMPRENSA PRESSIONADA

Em 14 de janeiro, agentes do FBI realizaram buscas na casa da jornalista do Post, Hannah Natanson, em Alexandria, Virgínia. A investigação tinha como alvo um administrador de sistemas, Aurelio Perez-Lugones, acusado de levar documentos secretos do governo para casa. Ele foi preso em 8 de janeiro.

Durante a operação, os agentes confiscaram o celular, 2 notebooks (um pessoal e outro fornecido pelo jornal) e um relógio digital Garmin pertencentes a Natanson. Posteriormente, um juiz federal impediu que o DOJ examinasse os aparelhos da jornalista.

Em setembro de 2025, o Pentágono anunciou novas regras de restrição de acesso a jornalistas, obrigando os jornalistas a assinar um compromisso de não usar informações que não tenham sido formalmente liberadas para divulgação.

Trump frequentemente critica veículos de mídia, que chama de “Fake News”, pela cobertura que realizam de seu governo. Em outubro, o presidente processou o The New York Times por difamação.