A gestão do governador Tarcísio de Freitas anunciou nesta sexta-feira (19) novas regras para evitar o desabastecimento de água na região metropolitana de São Paulo. A principal mudança é a separação das análises do Sistema Cantareira em relação ao SIM (Sistema Integrado Metropolitano), criando dois índices de acompanhamento em vez da medição única aplicada atualmente. O nível mais baixo entre os dois será considerado para a recomendação do governo, de modo que a redução da pressão noturna seja ampliada para mais horas.

Mudança na análise do Cantareira

O Cantareira responde por cerca de 50% do sistema metropolitano e, nos últimos meses, tem recebido menos chuvas que outros reservatórios, como o do Alto Tietê. Atualmente, opera com 39% da sua capacidade, enquanto o SIM está na casa dos 50%. Diante disso, as análises passam a ser baseadas em uma série histórica de 15 anos, substituindo a referência anterior que utilizava o comportamento hidrológico de 2021. Essa nova base considera anos com El Niño e La Niña.

O período de avaliação das medidas também mudou: a mudança de faixa ocorrerá a cada 30 dias, substituindo os prazos anteriores de 7 ou 14 dias.

Entenda a Gestão de Demanda Noturna

O modelo de redução de pressão nas redes de distribuição durante a noite é chamado de GDN (Gestão de Demanda Noturna) e possui sete faixas de restrição. Atualmente, encontra-se na terceira faixa, o que significa que o bombeamento de água é interrompido por 10 horas durante a noite. Apesar da mudança na análise, a previsão é que o GDN permaneça nessa mesma faixa até abril de 2027. “Avaliações diárias poderão alterar essa previsão”, afirmou a secretária de Meio Ambiente, Natália Resende.

A GDN é acionada das faixas 2 a 6, com tempos de redução que evoluem conforme a criticidade:

  • Faixa 2: 8 horas de gestão
  • Faixa 3: 10 horas (situação atual)
  • Faixa 4: 12 horas
  • Faixa 5: 14 horas
  • Faixa 6: 16 horas

Essa escala visa evitar o esgotamento dos reservatórios e eliminar a necessidade de rodízio, que permanece restrito à faixa 7 como medida de exceção.

Contexto hídrico e El Niño

No horizonte dos técnicos do governo está a mitigação dos efeitos do El Niño, fenômeno climático já confirmado para este ano e que, em São Paulo, pode provocar ondas de calor e irregularidades na distribuição de chuvas. Independentemente desses fenômenos, já tem chovido menos no Cantareira. O sistema registrou 62% da média histórica de precipitação no último ciclo de chuvas, contra 90% verificado no anterior.

Sob a regra de operação, a faixa de atuação do governo será determinada pela condição mais restritiva entre os dois índices. Caso o monitoramento do Cantareira indique um nível mais crítico que o do SIM, o governo o adotará como gatilho para aplicar nova contingência.