O governo federal determinou a suspensão das contas de usuários envolvidas no incidente de segurança cibernética que resultou no disparo de alertas falsos no sistema da Defesa Civil. Todos os acessos externos à Interface de Divulgação de Alertas Públicos foram bloqueados. A medida foi anunciada após a identificação de 10 alertas indevidos — nove deles enviados pelo sistema Cell Broadcast e um por SMS.

Investigação e alcance do ataque

De acordo com o governo, não há, até o momento, evidência de dano estrutural ao sistema utilizado pela Defesa Civil. Os disparos ocorreram entre 23h41 de sexta-feira (19) e 1h23 deste sábado (20). As localidades atingidas incluem São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Paraná e Distrito Federal.

O ataque acionou o nível “Extremo” do sistema, que emite um alerta sonoro em situações de risco iminente. Segundo o governo, o comportamento dos disparos não seguiu o padrão operacional normal. A plataforma está temporariamente suspensa, e a equipe de tecnologia da informação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional trabalha para o restabelecimento escalonado do sistema.

Declarações do secretário e próximos passos

O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, informou que as causas do incidente ainda estão sendo investigadas. Ele evitou especificar quantas pessoas ou celulares receberam o alerta sonoro, mas afirmou: “Com certeza, milhões de pessoas foram alertadas na madrugada do dia de hoje ou no final da noite de ontem. Esses alertas via Cell Broadcast têm capacidade de atingir milhares de pessoas.”

A Defesa Civil ainda não sabe se os disparos foram feitos por uma única pessoa ou por um grupo. O governo também não identificou os autores nem suas localidades. O alerta falso continha a palavra “misantropi4”, que significa ódio à humanidade, o que reforça a suspeita de ataque hacker. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil acionou a Polícia Federal para investigar o caso.

Funcionamento do sistema Cell Broadcast

A ferramenta Cell Broadcast foi desenvolvida para exibir mensagens de texto em formato pop-up diretamente na tela do celular para o envio de alertas de emergência. São emitidos dois tipos de alerta:

  • Alerta severo: indica necessidade de ações preventivas, como em casos de chuvas fortes com riscos de deslizamentos ou alagamentos. O celular emite um som de “beep” e a tela fica bloqueada até que o usuário decida fechá-la. Para recebê-lo, é preciso acessar as configurações do aparelho.
  • Alerta extremo: nível mais alto, para situações de risco grave à vida e à propriedade. O celular emite um sinal sonoro mesmo no modo silencioso, a tela congela e só pode ser liberada pelo usuário ao fechar a notificação. Essa configuração é ativada por padrão e não pode ser desativada.

O ataque aproveitou justamente o alerta extremo, que dispara som e trava a tela, causando pânico entre os moradores das regiões afetadas. A apuração segue em andamento.