O governo federal nomeou nesta quarta-feira (3) o advogado Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda responsável por regular e fiscalizar o mercado de capitais. A nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). Lobo substitui João Pedro Barroso do Nascimento, que renunciou ao cargo, e cumprirá mandato até 18 de julho de 2027.
Também foi publicada a nomeação de Igor Muniz para a diretoria da CVM. Antes de assumir, Lobo se reuniu com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, para discutir temas relacionados à atuação da autarquia.
Processos sob análise
A CVM tem sido alvo de questionamentos sobre a condução de processos relacionados ao conglomerado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em fevereiro, a própria CVM criou um grupo de trabalho para analisar informações sobre o conglomerado Master e a gestora de fundos Reag, suspeita de envolvimento em fraudes investigadas pela Polícia Federal, e propor melhorias em regulação, supervisão e governança.
Questionado sobre prioridade aos casos do Banco Master, Lobo afirmou que a intenção é acelerar todos os processos em andamento. “Todos esses processos vão ser tratados com muita celeridade”, disse, acrescentando que será feito um mutirão para julgar mais processos. Ele também afirmou que não haverá distinção entre investigados e que os procedimentos seguirão os princípios legais e constitucionais.
Aprovação no Senado e resistências
O nome de Otto Lobo foi aprovado pelo Senado em maio, por 31 votos a 3. Na mesma sessão, os senadores aprovaram a indicação de Igor Muniz para a diretoria da CVM. A escolha de Lobo foi atribuída nos bastidores a empresários e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que nega ter atuado como padrinho político.
A indicação gerou divergências dentro do governo. Integrantes da equipe econômica manifestaram resistência ao nome, posição compartilhada tanto pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quanto pelo atual, Dario Durigan. Apesar disso, segundo fontes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou ao senador Eduardo Braga, relator da indicação, sua preferência por Lobo.
No mercado financeiro, a indicação também enfrentou resistência. Críticos apontam decisões consideradas favoráveis ao Banco Master tomadas por Lobo durante o período em que exerceu interinamente a presidência da CVM.
Com informações de G1 — Política.