O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que há menos espaço para negociar a segunda tarifa de 12,5% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida foi divulgada após investigação norte-americana sobre suposto uso de trabalho forçado por 59 países e pela União Europeia.

Uma primeira tarifa, de 25%, já havia sido anunciada pelos EUA após apuração focada no Brasil sobre supostas práticas comerciais injustas. Nesse caso, o governo brasileiro considera que há mais flexibilidade para negociação.

O raciocínio do governo é que, como a taxação de 12,5% incidirá também sobre outros países — inclusive aliados históricos dos EUA, como Israel —, dificilmente os norte-americanos aceitarão fazer concessões ao Brasil em detrimento dos demais. Na avaliação do Brasil, a tarifa não se justifica, pois o país é referência global no combate ao trabalho escravo. Contudo, em uma leitura pragmática, o Executivo considera pouco provável que os EUA façam um gesto ao Brasil nessa frente.

Quanto à tarifa de 25%, o relatório definitivo da investigação da seção 301, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), será publicado até 15 de julho. A decisão sobre a aplicação das tarifas cabe ao presidente Donald Trump. O governo brasileiro acredita que qualquer tarifa só será aplicada a partir dessa data, abrindo espaço para negociação, embora a tarefa seja desafiadora.

Por enquanto, o Brasil está disposto a negociar reduções tarifárias para ampliar a abertura do mercado brasileiro a produtos americanos. Qualquer alteração no Pix, sistema de pagamento instantâneo do Banco Central que foi alvo da investigação do USTR, está descartada. O governo também pode aceitar outras flexibilizações no comércio bilateral, mas qualquer medida dependerá da negociação direta e de um sinal de alívio nas tarifas pelos EUA.

Uma nova reunião entre negociadores dos dois países é esperada para a próxima semana, no âmbito do grupo de trabalho criado após o encontro entre Trump e Lula na Casa Branca, em 7 de maio.

Com informações de Folha — Mercado.