O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por uma postura discreta na Marcha para Jesus, realizada na quinta-feira (4) em São Paulo, para evitar o risco de ser acusado de abuso de poder religioso pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Representante da gestão federal no evento, o ministro Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União (AGU), desfilou no trio elétrico, mas não discursou, ao contrário do que fez em anos anteriores.

Oficialmente, Messias seguiu a orientação do presidente Lula, que, em uma ligação para o apóstolo Estevam Hernandes, organizador da Marcha, justificou sua ausência dizendo que não queria fazer política em um evento sagrado.

A atitude contrasta com a do senador Flávio Bolsonaro (PL), que discursou e prometeu que o mal seria expulso do governo do Brasil.

O conceito de abuso de poder religioso ainda é debatido no TSE, que já rejeitou torná-lo um tipo penal autônomo. Em decisões anteriores, no entanto, a corte aceitou que pode ser um elemento para caracterizar abuso de poder político de forma ampla.

Na mais recente delas, em 24 de maio, o TSE manteve a condenação da então prefeita de Votorantim (SP), Fabíola Alves da Silva (PSDB), que havia sido cassada por ter recebido apoio ostensivo da Igreja do Evangelho Quadrangular na campanha eleitoral de 2024.

Com informações de Folha — Poder.