O Ministério das Relações Exteriores intensificou as conversas com a União Europeia após a decisão do bloco de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados animais e produtos de origem animal, conforme as novas regras sanitárias para uso de antimicrobianos.

Na sexta-feira, o ministro Mauro Vieira conversou com o comissário de comércio da União Europeia, Maroš Šefčovič, e tratou da necessidade de comunicações mais fluidas entre o bloco e o Brasil na atual fase de implementação do acordo com o Mercosul.

A medida, publicada no Diário Oficial da União Europeia, entra em vigor em 3 de setembro. O governo brasileiro pretende atuar até lá para evitar que a carne brasileira deixe de ser comprada pelo bloco. Segundo integrantes do governo, a formalização já era esperada, pois vinha sendo tratada em nível técnico.

Na prática, se o país não recuperar a autorização até setembro, as exportações brasileiras de algumas categorias poderão ser barradas no mercado europeu. O regulamento cita a retirada da autorização para bovinos, equinos, aves, aquicultura, mel e tripas.

Essas categorias constavam com um “X” na lista anterior, sinal usado pela União Europeia para indicar países que apresentaram garantias de cumprimento das regras. No novo regulamento, a Comissão Europeia afirma que não recebeu do Brasil informações suficientes para comprovar que as medidas exigidas serão cumpridas até setembro.

A exigência europeia está ligada ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal. As regras do bloco proíbem, para produtos exportados à União Europeia, o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento ou para aumento de rendimento, além de medicamentos reservados ao tratamento de infecções em humanos.

A decisão não significa, segundo o texto europeu, que tenha sido identificada irregularidade em uma carga específica de carne brasileira. O ponto central é documental e sanitário: a Comissão Europeia diz não ter recebido garantias de que o Brasil implementou as medidas necessárias para atender às novas exigências.

Com informações de InfoMoney.