O governo interino da Venezuela, liderado por Delcy Rodríguez, e a ex-deputada opositora Dinorah Figuera iniciaram nesta quinta-feira (18) um diálogo voltado para uma transição democrática, com o respaldo dos Estados Unidos, conforme anunciou o Departamento de Estado.

O encontro ocorre quase seis meses após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro durante uma intervenção militar americana. Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina em janeiro e governa sob forte pressão de Washington.

Diálogo sobre transição

Figuera, que estava exilada há oito anos, chegou à Venezuela nesta quinta e afirmou à imprensa que retornou a convite dos Estados Unidos para negociar a criação de uma autoridade eleitoral "crível". Horas depois, ela se reuniu com Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento, que a recebeu "na sua condição de representante dos deputados opositores do período de 2015 a 2020", segundo comunicado da Assembleia Nacional.

O Departamento de Estado classificou o encontro como uma oportunidade para "debater uma agenda que servirá como roteiro para um diálogo político sobre uma transição democrática".

Posição da oposição

Figuera se desvinculou da líder opositora María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, que recentemente lançou, junto a outros líderes políticos, o "manifesto do Panamá" para negociar a transição. A oposição liderada por Machado reivindica a vitória de seu candidato, Edmundo González Urrutia, nas eleições presidenciais de 2024, nas quais Maduro se proclamou reeleito em meio a denúncias de fraude.

Contexto histórico

Em 2023, Figuera assumiu, do exterior, a presidência de uma comissão parlamentar simbólica. Os deputados opositores que a compõem foram eleitos para o período legislativo de 2016-2020 e posteriormente marginalizados por Maduro.