O governo federal publicou decreto que altera as normas do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) com o objetivo de acelerar o repasse de recursos a estados e municípios destinados ao combate a incêndios florestais. A medida foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia no Palácio do Planalto em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, ocorrida na quarta-feira (10), e publicada no Diário Oficial da União na quinta-feira (11).
Criado nos anos 1980, o FNMA era frequentemente criticado pela burocracia que retardava a liberação de verbas. No modelo anterior, municípios e governos estaduais precisavam firmar convênios para acessar os recursos, processo considerado lento e complexo, especialmente para cidades pequenas com pouca estrutura administrativa. Conforme o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o novo decreto substitui parte dessas exigências por mecanismos simplificados de transferência e prestação de contas baseada em resultados.

“O fundo possuía um sistema burocrático que acabava afastando a adesão de municípios pequenos”, afirmou o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, ao apresentar a medida. Segundo ele, a mudança permitirá uma descentralização mais rápida dos recursos públicos destinados à prevenção e ao combate ao fogo.
A alteração ocorre em um cenário de crescente preocupação com a temporada de incêndios. Em março, o governo federal anunciou a mobilização de mais de 4,6 mil brigadistas e reforçou o planejamento nacional de combate ao fogo, diante de previsões de condições climáticas favoráveis à propagação de queimadas em diferentes regiões do país.

Pelo novo modelo, estados e municípios interessados em receber recursos deverão elaborar planos de combate a incêndios em até 18 meses. A exigência busca alinhar os repasses a estratégias permanentes de prevenção, evitando que os recursos sejam acionados apenas em momentos de crise.
Embora o decreto seja apresentado como medida administrativa, ele também representa uma tentativa de responder a um problema recorrente na política ambiental brasileira: a dificuldade de transformar recursos disponíveis em ações rápidas no território. Nos últimos anos, órgãos ambientais e governos estaduais relataram entraves burocráticos para contratação de brigadas, aquisição de equipamentos e execução de ações emergenciais durante grandes temporadas de queimadas.
A mudança no FNMA se soma a outros instrumentos de financiamento mobilizados para enfrentar o avanço do fogo nos biomas brasileiros. Em maio, o Fundo Amazônia destinou R$ 150 milhões para fortalecer brigadas florestais, corpos de bombeiros e ações de manejo integrado do fogo no Cerrado e no Pantanal. Desde a retomada do fundo, mais de R$ 521 milhões foram aprovados para iniciativas de prevenção e combate a incêndios em diferentes regiões do país.
Além do combate aos incêndios, o decreto amplia as possibilidades de atuação do FNMA ao incluir o financiamento de ações voltadas ao manejo populacional ético e à proteção de animais domésticos. Para acessar esses recursos, estados e municípios deverão aderir ao Sistema do Cadastro Nacional de Animais Domésticos (SinPatinhas).
A efetividade da nova regulamentação, contudo, dependerá da capacidade dos governos locais de elaborar planos, estruturar equipes e executar os recursos disponíveis. Em um cenário marcado pelo aumento da frequência de eventos climáticos extremos e pela persistência dos incêndios em biomas como Amazônia, Pantanal e Cerrado, especialistas apontam que rapidez na transferência de recursos pode ser tão importante quanto o volume de dinheiro disponível.
Com informações de ((o)) eco — leia a matéria original.