O governo federal avalia demolir a ponte do Esqueleto, na divisa entre Limeira e Cordeirópolis (SP), onde uma jovem de 21 anos morreu no sábado (13) após ser lançada sem equipamento de segurança por instrutores de rope jump. A proposta foi discutida nesta segunda-feira (15) em reuniões entre a Advocacia-Geral da União (AGU), a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e os prefeitos dos dois municípios.
Decisão sobre a ponte
A SPU, vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, informou em nota que estuda uma solução definitiva, que pode incluir a “eventual remoção” da estrutura. A secretaria também anunciou a instalação de barreiras físicas de acesso e placas de aviso sobre propriedade da União e entrada proibida. A pasta destacou que “o diálogo e parceria entre entes federados é o caminho para gestão de espaços de uso comum”.
A ponte, herdada pela União após a extinção de estatais ferroviárias há pelo menos 20 anos, não possui autorização para práticas esportivas, embora seja utilizada frequentemente nos fins de semana. A transferência para a SPU foi oficializada em maio, segundo o governo.
Histórico de acidentes
A ponte do Esqueleto já havia registrado outros incidentes graves. No ano passado, duas pessoas ficaram feridas durante a prática de rope jump. Em 2024, uma ciclista morreu ao cair da estrutura. No sábado, a Prefeitura de Limeira declarou que processaria o governo federal por “omissão”.
Morte de Maria Eduarda
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21, foi lançada por instrutores sem estar presa a corda ou qualquer equipamento de segurança, conforme registrado por pessoas que estavam no local. Seu corpo foi enterrado no domingo (14) em Jandira, na Grande São Paulo.
Investigação e indiciamentos
Os instrutores da página Entre Cordas — Luis Felipe Feliciano Egoroff, 32; Vitor de Freitas Gonçalves, 27; e Maicon Fernandes Cintra, 42 — foram indiciados sob suspeita de homicídio com dolo eventual. A prisão temporária foi convertida em preventiva (sem prazo) no domingo. O advogado do trio afirmou que eles prestaram primeiros socorros e classificou o caso como “tragédia”. A Entre Cordas foi procurada, mas não respondeu.
Ao todo, seis pessoas foram conduzidas à delegacia. Três foram indiciadas; as demais constam como investigadas. Segundo o boletim de ocorrência, dois homens fugiram para uma mata quando policiais chegaram, sendo necessário reforço com viaturas e helicóptero. Outros dois investigados trocaram de roupas antes da chegada dos policiais, mas foram identificados.
Medidas dos municípios
A Prefeitura de Limeira se comprometeu a reabrir uma vala que havia sido feita a pedido da União em 2024 para dificultar o acesso. A trincheira teria sido fechada por terceiros sem conhecimento da administração local. Já a gestão de Cordeirópolis informou ao governo federal que o acesso pelo município sempre esteve bloqueado.
O que é rope jump
O rope jumping, também conhecido como “pêndulo humano”, consiste em saltos de grandes alturas com o praticante preso a cordas que produzem movimento de balanço após a queda. Diferencia-se do bungee jump, que usa corda elástica com rebotes. A ponte do Esqueleto é um ponto conhecido para a prática, com registro de atuação de empresas. Em audiência pública no ano passado, um empresário do setor afirmou a vereadores que cerca de 500 pessoas participam de atividades no local mensalmente.