O governo dos Estados Unidos manifestou-se contra a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em declaração à agência Reuters nesta quarta-feira (17), uma fonte do Departamento de Estado classificou a decisão como parte de um suposto padrão de perseguição política por parte do Judiciário brasileiro.
“Este é o episódio mais recente de um padrão de perseguição e uso do sistema jurídico como arma política por parte do Judiciário brasileiro contra a oposição política. Debates políticos devem ser resolvidos por meio de eleições democráticas, e não de condenações”, afirmou o representante do governo americano.

Condenação por coação no processo
Na terça-feira (16), a Primeira Turma do STF condenou Eduardo Bolsonaro, por unanimidade, a 4 anos e 2 meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo que investiga a trama golpista. Os ministros entenderam que o ex-deputado atuou junto ao governo de Donald Trump para pressionar autoridades brasileiras e buscar medidas que favorecessem a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
Além da pena de prisão, Eduardo foi declarado inelegível por 8 anos e perdeu o cargo de escrivão da Polícia Federal. Segundo a decisão, ele tentou mobilizar autoridades americanas para impor sanções contra integrantes do Judiciário brasileiro, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, e defendeu medidas econômicas contra o Brasil, como a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros.

Relações bilaterais e contexto
Nos últimos meses, os Estados Unidos anunciaram sanções contra autoridades brasileiras, classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras e passaram a discutir novas barreiras comerciais envolvendo o Brasil.
Durante o encontro do G7, na França, o presidente Donald Trump comentou a situação política brasileira, afirmando ter ouvido que “Bolsonaro Jr.” havia sido preso ou poderia ser preso — ele confundiu Eduardo Bolsonaro com seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Próximos passos de Eduardo Bolsonaro
Atualmente morando em uma mansão no Texas, Eduardo Bolsonaro mantém interlocução com integrantes do governo Trump e anunciou que retornará a Washington na próxima semana para uma nova rodada de reuniões contra o Brasil. Apesar de estar inelegível, ele afirma que pretende participar das eleições como suplente de senador em São Paulo.